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Tecnologia

Maioria dos eleitores americanos vê riscos da IA sem atenção do governo Trump e do Congresso

Estudo mostra que 57% dos eleitores acreditam que o governo Trump não trata os perigos da tecnologia com a seriedade necessária

Por Redação Diário Local

A maioria dos eleitores nos Estados Unidos acredita que o governo do presidente Donald Trump e o Congresso não estão tratando os riscos da inteligência artificial (IA) com a seriedade necessária. O entendimento foi apontado por uma pesquisa realizada com 4.506 adultos no país, incluindo 3.526 eleitores registrados.

O estudo, concluído na segunda-feira (29), revela um ceticismo crescente entre os americanos de diferentes espectros políticos. Cerca de 57% dos eleitores consultados afirmaram que a gestão de Trump não levou os riscos da tecnologia a sério o suficiente, número que inclui um terço dos entrevistados que se identificam como republicanos.

O Congresso também enfrenta críticas sobre o tema. Aproximadamente 54% dos eleitores disseram que o Legislativo não está agindo com a devida atenção aos perigos da inteligência artificial. O assunto tornou-se central no debate político antes das eleições de meio de mandato, programadas para o dia 3 de novembro (3).

A percepção de ameaça ao mercado de trabalho é um dos pontos mais críticos do levantamento. De acordo com os dados, 84% dos eleitores consideram a IA uma ameaça aos trabalhadores americanos. O índice é superior ao receio causado pela imigração ilegal (60%) ou pela concorrência de trabalhadores estrangeiros (74%).

A segurança existencial também preocupa a população. Cerca de 62% dos entrevistados acreditam que a tecnologia pode sair de controle e colocar em risco o futuro da humanidade, patamar semelhante ao registrado em levantamento realizado em agosto do ano passado.

Preocupações com emprego e segurança

Daniel Kokotajlo, ex-funcionário da OpenAI que deixou a empresa em 2024, argumenta que a preocupação mais urgente não é apenas o controle da tecnologia, mas como ela pode custar empregos ou ameaçar a saúde e a segurança humana. Ele defende que a abordagem atual pode não estar focada nas necessidades da maioria.

Em contrapartida, a Casa Branca defendeu a atuação do governo. Um funcionário da administração mencionou que uma nova força-tarefa foi criada para garantir que os Estados Unidos continuem liderando o mundo nessa tecnologia. A prioridade seria assegurar uma economia em expansão para mitigar a volatilidade no emprego.

Donald Trump tem defendido o apoio incondicional ao desenvolvimento da IA e à construção de infraestrutura para sustentá-la. O presidente argumenta que esses investimentos são vitais para a competitividade dos EUA em relação à China, mesmo diante de críticas sobre a falta de limites ao setor.

Regulamentação e centros de dados

Sobre os mecanismos de controle, Trump afirmou na última semana que executivos de seis grandes desenvolvedoras — Nvidia, SpaceX, OpenAI, Anthropic, Meta e Google — concordaram com princípios de segurança voluntários. O acordo prevê o uso de auditores independentes para avaliar os sistemas.

Contudo, o acordo de segurança entre as empresas não estabelece consequências para casos em que as diretrizes não sejam cumpridas. Até o momento, o Congresso americano não chegou a um consenso sobre uma legislação que estabeleça limites obrigatórios para a tecnologia.

Além dos riscos digitais, há resistência à infraestrutura física necessária para a IA. A maioria dos eleitores, 56%, apoia limites à construção de centros de dados (data centers). Entre os democratas, o apoio é de 69%, enquanto 55% dos independentes e 43% dos republicanos defendem restrições.

A oposição aos centros de dados também é motivada por questões de vizinhança, como o alto consumo de energia e o ruído excessivo, que impactam as contas de luz e o bem-estar em áreas residenciais próximas.

Outro ponto de atenção refere-se ao uso militar. A pesquisa indicou que 57% dos eleitores acreditam que o governo dos EUA não deveria utilizar inteligência artificial para determinar alvos em ataques militares, um aumento em relação aos 49% registrados em agosto de 2025.

Produzido pela redação do Diário Local com apoio de automação editorial, sob curadoria e revisão de Davy Albuquerque, editor responsável.