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Alemanha

Ex-chefe da espionagem da Alemanha é preso sob suspeita de traição e espionagem

August Hanning, ex-presidente do BND, é investigado por suposta entrega de documentos ultrassecretos a serviço estrangeiro.

Por Redação Diário Local

O ex-presidente do Serviço Federal de Inteligência da Alemanha (BND), August Hanning, de 80 anos, foi preso nesta terça-feira (6) sob suspeita de espionagem e traição. A prisão ocorreu nas primeiras horas da manhã na residência de Hanning, em Nordwalde, próximo a Münster.

Durante as buscas realizadas no imóvel, investigadores encontraram um dispositivo eletrônico que continha documentos ultrassecretos do BND, datados de junho de 2022. O material foi localizado inicialmente pelo Departamento Estadual de Investigações Criminais (LKA) da Baixa Saxônia durante outras apurações e encaminhado às autoridades federais.

Hanning deixou o serviço de inteligência em novembro de 2005 e ocupou cargos importantes na estrutura de segurança alemã, incluindo a direção do BND em 1998 e a secretaria de Estado no Ministério Federal do Interior no fim de 2005.

Quem mais foi preso?

A Procuradoria-Geral da Alemanha, em Karlsruhe, comunicou que o antigo chefe de gabinete de Hanning, Manfred D., também foi preso. Ele é acusado de cumplicidade no esquema de espionagem.

Segundo a acusação, Manfred D. teria trabalhado no BND até o primeiro semestre de 2026 e fornecido informações altamente sigilosas a Hanning ao longo de vários anos. O repasse de dados teria ocorrido mediante pagamento até, pelo menos, 2022.

Ao todo, o volume de informações envolvidas chega a cerca de 2 mil documentos. Entre os papéis estariam relatórios preparados para reuniões na Chancelaria Federal, que reúnem os principais dirigentes das agências de espionagem do país.

O que dizem os documentos?

O conteúdo dos documentos inclui informações sensíveis sobre o programa nuclear iraniano e detalhes sobre as Forças Armadas russas, além de dados obtidos de serviços de inteligência de países aliados. Com base nesse material, Hanning teria elaborado, em pelo menos uma ocasião, uma análise de segurança para um serviço de inteligência estrangeiro.

A Procuradoria-Geral não detalhou para qual país ou serviço estrangeiro Hanning estaria trabalhando, mas informou que as acusações atuais não possuem relação com a Rússia.

O vazamento de informações dessa natureza gera preocupação sobre a confiança de agências parceiras no BND e pode provocar uma redução no intercâmbio de informações de inteligência entre países aliados.

Produzido pela redação do Diário Local com apoio de automação editorial, sob curadoria e revisão de Davy Albuquerque, editor responsável.