Atenas é a única capital da União Europeia onde Flávio Bolsonaro venceu no 1º turno
Capital grega registra vitória de Flávio Bolsonaro no primeiro turno, divergindo do comportamento eleitoral de outros brasileiros na Europa.
Por Redação Diário Local
A capital grega Atenas é a única cidade da União Europeia onde o senador Flávio Bolsonaro (PL) superou o presidente Lula (PT) no primeiro turno das eleições entre brasileiros no exterior. Na capital helena, Flávio Bolsonaro obteve 46,6% dos votos válidos, enquanto Lula ficou com quase 40%.
O desempenho eleitoral em Atenas torna a cidade uma exceção no continente, uma vez que o presidente Lula venceu em todas as outras capitais da União Europeia. Além disso, o resultado mantém um comportamento observado em pleitos anteriores na região.
Em 2022, Jair Bolsonaro já havia conquistado a vitória tanto no primeiro quanto no segundo turno em Atenas. O cenário indica que, em pelo menos duas eleições presidenciais recentes, o eleitorado brasileiro residente na capital grega votou de forma distinta da maioria dos brasileiros espalhados pela Europa.
Por que Atenas vota de forma diferente?
A localização geográfica e o contexto socioeconômico do país influenciam o comportamento do voto. De acordo com a pesquisadora da PUC-RS, Teresa Schneider, o local onde o imigrante reside impacta a forma como ele decide seu voto.
A Grécia ainda sente os reflexos de uma crise econômica recente, fator que pode abrir espaço para forças políticas de centro-direita. Segundo a pesquisadora, cenários de crise podem fortalecer grupos que se opõem a processos de integração regional, moldando o perfil do eleitorado local.
Composição da comunidade e influência religiosa
O tamanho da comunidade brasileira na Grécia também é um fator determinante. O país possui cerca de 4 mil brasileiros, sendo pouco mais de 1.200 aptos a votar em Atenas, uma população considerada pequena quando comparada a outros países europeus.
Essa baixa densidade populacional explica a menor presença de partidos e movimentos políticos brasileiros no território grego em comparação com nações como França, Alemanha ou Portugal.
A presença de instituições religiosas também é apontada por especialistas como um elemento que impulsiona o voto conservador. Na Grécia, há uma concentração relevante de igrejas evangélicas, como a Igreja Universal do Reino de Deus, a Assembleia de Deus e a Congregação Cristã no Brasil.
Para a pesquisadora Teresa Schneider, a igreja funciona como um importante espaço de sociabilidade para o imigrante. Nesses locais, além de valores morais, ocorre a discussão de questões políticas, o que pode motivar o eleitorado a adotar posturas que destoam do padrão observado em outras capitais europeias.
