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ONU alerta que falta de acordo entre EUA e Irã pode causar crise de segurança alimentar

Impasse entre Estados Unidos e Irã no Estreito de Ormuz pode disparar preços de alimentos e afetar o plantio global.

Por Redação Diário Local

A falta de um acordo entre os Estados Unidos e o Irã sobre o transporte de fertilizantes pelo Estreito de Ormuz pode causar uma crise de segurança alimentar em regiões da Ásia e da África, afirmou o subsecretário-geral das Nações Unidas, Jorge Moreira da Silva, nesta quarta-feira (14).

O impasse envolve um plano apoiado pela ONU para facilitar a passagem de insumos pelo estreito, mas a implementação do mecanismo depende de um consenso entre Washington e Teerã. Segundo a autoridade das Nações Unidas, o sistema poderia ser ativado entre 7 e 10 dias após o fechamento do acordo.

“É absolutamente crucial fechar o acordo nas próximas semanas. Caso contrário, perderemos a época de plantio”, alertou Moreira da Silva durante reuniões em Bangcoc, à margem de encontros do Fundo Monetário Internacional (FMI) e do Banco Mundial.

Por que o Estreito de Ormuz é importante para a alimentação?

O Estreito de Ormuz é uma rota estratégica para o abastecimento global de insumos agrícolas. Antes do início dos conflitos na região, a via movimentava cerca de um terço da ureia comercializada no mundo — o fertilizante mais utilizado globalmente — e quase metade do enxofre transportado por mar.

De acordo com o Instituto Internacional de Pesquisa em Política Alimentar, os embarques de fertilizantes da região do Golfo permaneceram praticamente paralisados por mais de seis meses após o início do conflito. Durante um período de cessar-fogo, entre meados de junho e julho, a retomada de embarques foi considerada insignificante pelo instituto.

Impacto nos preços dos alimentos

A interrupção no fluxo de mercadorias pode gerar um choque de preços em escala mundial. Um relatório da Câmara de Comércio Internacional, de agosto, projeta que, se o gargalo continuar, o preço de cereais pode subir até 81%, o de culturas oleaginosas pode subir 66% e o de produtos de origem animal pode crescer 30%.

A perda do período de plantio reduz a produtividade agrícola e amplia o impacto nos custos para o consumidor. Segundo Moreira da Silva, a situação é agravada por uma concentração de fatores, como a crise climática e interrupções simultâneas em outras rotas, como o Mar Negro e o Mar Vermelho.

Como funcionaria o plano da ONU?

A operação proposta utilizaria um centro de coordenação localizado em Omã para registrar navios e coordenar a passagem segura. Monitores da ONU trabalhariam junto às autoridades locais nos portos do Golfo para verificar as cargas.

O objetivo seria garantir o trânsito de ao menos cinco navios por dia para atender países em necessidade crítica. Os navios seriam rastreados e poderiam passar por inspeções adicionais caso houvesse preocupações sobre o carregamento.

Produzido pela redação do Diário Local com apoio de automação editorial, sob curadoria e revisão de Davy Albuquerque, editor responsável.