Procurador-geral da Bolívia é preso sob acusação de corrupção e vínculos com narcotráfico
Roger Mariaca foi detido no aeroporto de Santa Cruz após o governo dos Estados Unidos revogar seu visto diplomático por suposto crime organizado.
Por Redação Diário Local
O procurador-geral da Bolívia, Roger Mariaca, foi preso nesta quarta-feira (30) no Aeroporto Internacional de Viru Viru, na cidade de Santa Cruz. A captura ocorre dois dias após o governo dos Estados Unidos revogar o visto diplomático de Mariaca, sob acusações de corrupção e vínculos com o narcotráfico.
O governo do presidente Rodrigo Paz Pereira confirmou, nesta quinta-feira (1), a detenção do procurador e de outras 13 pessoas. Segundo o ministro do Governo, Marco Antonio Oviedo, a operação visa desmantelar uma organização criminosa que estaria infiltrada no Ministério Público para proteger o narcoterrorismo no país.
O que diz o governo boliviano
De acordo com o ministro Marco Antonio Oviedo, Mariaca chefiaria uma estrutura dedicada a promover atividades criminosas dentro da administração pública. O ministro afirmou que o grupo utilizava a função para proteger redes de crime organizado.
Ao todo, 14 pessoas foram presas nas diligências. Entre os detidos estão quatro altos funcionários do Ministério Público e das Procuradorias de Santa Cruz e de La Paz. O governo também informou que identificou a retirada de grandes somas de dinheiro da residência de Mariaca utilizando uma ambulância durante a madrugada de hoje (1).
Segundo as autoridades, esse montante seria fruto de extorsão contra cidadãos que buscam assistência no Ministério Público. O governo também associou o dinheiro ao financiamento de bloqueios rodoviários que causaram instabilidade no país recentemente.
Contexto das sanções internacionais
A ofensiva contra o procurador ganhou força após o Departamento de Estado dos Estados Unidos incluir Mariaca em uma lista de sanções. O governo norte-americano sustenta que o chefe do Ministério Público teria aceitado subornos para facilitar a atuação de redes criminosas e permitir a fuga de criminosos da Justiça.
Antes de ser detido, Roger Mariaca classificou as medidas de Washington como uma interferência política e um ato descabido. Ele sugeriu que as sanções estariam ligadas ao andamento de investigações sensíveis sob sua responsabilidade.
A prisão gerou reações divergentes no país. Membros da Procuradoria-Geral alegam que a captura foi executada sem o rigor jurídico necessário, enquanto setores governamentais apoiam a ação como parte do combate ao crime transnacional.
