Diário Local
Irã

Programa nuclear do Irã gera incerteza após redução de inspeções e dúvidas sobre estoque de urânio

Dúvidas sobre o nível de enriquecimento de urânio e a dificuldade de fiscalização internacional elevam tensão sobre Teerã.

Por Redação Diário Local

O programa nuclear do Irã entrou em uma fase de máxima incerteza devido à redução da capacidade de supervisão da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) sobre as instalações de Teerã. A falta de monitoramento sobre o estoque de urânio enriquecido a 60% e o avanço de novas construções subterrâneas aumentaram as dúvidas sobre o estágio atual das atividades nucleares do país.

Apesar do cenário de tensão, o governo iraniano mantém canais abertos para o diálogo. Em entrevista recente, o presidente Masoud Pezeshkian afirmou que Teerã estaria disposta a diluir o estoque de urânio e submeter o programa a inspeções internacionais, desde que seja alcançado um acordo abrangente dentro dos marcos do direito internacional e do Tratado de Não Proliferação Nuclear (TNP).

Contradições políticas em Teerã

O tom diplomático do presidente contrasta com o posicionamento de autoridades militares. Mohsen Rezaei, secretário do Conselho Supremo de Segurança Nacional do Irã, declarou que ações realizadas pelos Estados Unidos e por Israel criaram condições para que o país abandone o TNP. Segundo o secretário, nenhuma decisão oficial sobre a saída do tratado foi tomada até o momento.

A preocupação técnica é reforçada por informações sobre a reconstrução de infraestruturas. Imagens de satélite indicaram a construção de novas instalações, como o complexo Taleghan 2, no sudeste de Teerã, e uma estrutura subterrânea na Montanha Pickaxe, próxima ao centro nuclear de Natanz. Ambos os locais foram atingidos em ofensivas militares anteriores, realizadas pelas forças dos Estados Unidos e de Israel.

A reconstrução desses complexos gera especulações sobre a possível transferência de equipamentos e de estoques de urânio para áreas mais profundas e protegidas contra novos ataques.

O papel das instituições internacionais

Um dos pontos centrais da controvérsia é o alcance das inspeções da AIEA, que enfrenta limitações para acessar instalações militares. O ex-assessor de Segurança Nacional dos EUA, John Bolton, afirmou que os esforços diplomáticos muitas vezes servem de cobertura para estratégias de Teerã, argumentando que a agência internacional jamais teve acesso efetivo às bases onde ocorrem atividades críticas de militarização do programa.

A tensão entre as potências também é evidente na retórica política. Em discurso na Assembleia Geral da ONU, em 22 de setembro, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarou que não permitirá que o Irã obtenha uma arma nuclear.

O cenário é complexo devido ao histórico do acordo nuclear de 2015, que impunha restrições ao Irã em troca do alívio de sanções. A saída dos Estados Unidos desse plano, em 2018, e a atual redução na supervisão técnica tornam difícil para a comunidade internacional determinar se o país está próximo de atingir os 90% de pureza do urânio necessários para fins militares.

Produzido pela redação do Diário Local com apoio de automação editorial, sob curadoria e revisão de Davy Albuquerque, editor responsável.