Estudantes protestam na França por mais recursos e professores e comparam desafios com o Brasil
Manifestações em estudantes e universidades francesas reivindicam reajustes e substitutos; dados da OCDE comparam cenários com o Brasil
Por Redação Diário Local
Estudantes de ensino médio e universitários realizam manifestações na França nesta semana por mais recursos para a administração pública e para a reposição de professores ausentes. Os protestos também reivindicam reajustes salariais para servidores públicos no país europeu.
Embora o cenário de insatisfação nas escolas seja compartilhado com o Brasil, dados da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) indicam que os sistemas educacionais enfrentam desafios de naturezas distintas, conforme mostram os relatórios TALIS 2024 e Education at a Glance 2026.
Como é a satisfação salarial nos dois países?
Apesar de os professores franceses terem recebido, em média, € 3.090 líquidos por mês em 2024 — um aumento real de 4,3% após a inflação —, o nível de contentamento é baixo. Segundo a pesquisa TALIS 2024, apenas 27% dos professores franceses do ensino fundamental dos anos finais declararam estar satisfeitos com o salário.
No Brasil, o índice de satisfação é ainda menor, atingindo 22,3% dos docentes da mesma categoria. No território brasileiro, existe um piso salarial profissional nacional para a educação básica pública, fixado em R$ 5.130,63 para uma jornada de 40 horas semanais em 2026, mas a remuneração final varia conforme estados, municípios e planos de carreira.
O que diz a diferença de jornada de trabalho?
A distribuição do tempo dedicado ao ensino também apresenta disparidades. O TALIS 2024 indica que, em média, os professores brasileiros em tempo integral passam 29,2 horas por semana dando aulas, enquanto os franceses dedicam 20,1 horas à atividade de ensino.
A jornada total semanal também é superior no Brasil, com média de 40,3 horas, contra 38,7 horas na França. No Brasil, a carga horária total aumentou 4,6 horas por semana entre 2018 e 2024, ao passo que na França o tempo de trabalho não apresentou mudanças significativas no mesmo período.
Quais são as principais fontes de estresse?
Os motivos que geram sobrecarga variam conforme a região. Na França, os principais fatores de estresse são as mudanças nas exigências das autoridades públicas (62%), o excesso de trabalho administrativo (58%) e a adaptação de aulas para alunos com necessidades especiais (49%).
Já no Brasil, o estresse está mais ligado à responsabilidade pelo desempenho dos alunos (66%), à manutenção da disciplina em sala de aula (64%) e ao excesso de correções de atividades (60%).
Como funcionam os contratos e o financiamento?
A estabilidade profissional é um divisor de águas: 94% dos professores franceses do ensino fundamental possuíam contrato permanente em 2024, enquanto no Brasil esse índice é de 64%. Além disso, o regime de trabalho parcial é muito mais frequente no Brasil (72%) do que na França (16%).
No que diz respeito ao investimento, a OCDE informou que, em 2023, Brasil e França destinavam 4,5% do PIB para a educação. A diferença reside no montante aplicado por aluno: na França, o gasto é de cerca de US$ 13,8 mil, enquanto no Brasil o valor é de US$ 4,1 mil.
