Rússia completa um mês de lançamento do rublo digital para modernizar economia
O Banco Central russo emitiu a nova moeda digital para ampliar o controle sobre infraestruturas tecnológicas e pagamentos.
Por Redação Diário Local
A Rússia completa um mês de lançamento do rublo digital, a nova moeda emitida pelo Banco Central do país, em outubro de 2026. O projeto faz parte de uma estratégia de autonomia digital que busca garantir ao país o controle sobre suas próprias infraestruturas tecnológicas e a segurança de dados.
O uso de dinheiro físico já é minoritário nas transações russas. Segundo dados do Banco Central da Rússia, 88% dos pagamentos realizados no comércio e em serviços foram feitos sem o uso de cédulas ou moedas em espécie durante o ano de 2025; os 12% restantes foram realizados com dinheiro físico.
A conta em rublos digitais é aberta diretamente na instituição estatal do Banco Central, e não em bancos comerciais específicos. Contudo, o acesso à moeda pode ser feito de forma prática por meio do aplicativo móvel de qualquer instituição financeira que esteja conectada à plataforma.
Para realizar um pagamento, o consumidor deve utilizar o aplicativo de seu banco para ler um código QR, selecionar a opção de pagamento e confirmar a operação. Embora o processo se assemelhe ao funcionamento do Pix brasileiro, há diferenças estruturais: o rublo digital é uma forma de moeda, enquanto o Pix é um serviço de pagamento instantâneo oferecido pelo Banco Central do Brasil.
As regras de adesão na Rússia também diferem das brasileiras. No país euro-asiático, todos os bancos devem obrigatoriamente iniciar as operações com a nova moeda. Já no Brasil, a oferta do Pix é obrigatória apenas para instituições com mais de 500 mil contas ativas.
No setor varejista russo, a aceitação do rublo digital é compulsória para empresas com receita anual superior a 120 milhões de rublos. No mercado brasileiro, a aceitação do Pix é opcional, embora cerca de 96% dos pequenos comércios utilizem o sistema, conforme dados do Sebrae.
Soberania tecnológica e dados
O projeto é visto como um passo para a proteção da soberania nacional. Durante o Global Digital Forum, realizado em Moscou, o ex-ministro do Desenvolvimento Econômico da Rússia, Maxim Oreshkin, destacou a importância de possuir soluções de plataforma independentes ou desenvolvidas em parceria com países aliados.
Segundo o ex-ministro, a ausência de uma solução própria ou de armazenamento local de dados pode tornar as informações acessíveis a terceiros. Ele mencionou o Pix brasileiro e o banco Nubank como exemplos de soluções digitais integradas a plataformas de serviços utilizadas no cotidiano de seus usuários.
