Terremoto de magnitude 7,6 atinge o Panamá e provoca alertas de tsunami na região
Abalos sísmicos no Panamá causaram evacuações e danos em estruturas, enquanto o Chile decreta estado de calamidade devido a fortes chuvas.
Por Redação Diário Local
Um terremoto de magnitude 7,6 atingiu o Panamá nesta sexta-feira (09), provocando evacuações, danos em construções e alertas de tsunami em áreas próximas ao litoral. O fenômeno ocorreu em uma região de intensa atividade tectônica na costa do Oceano Pacífico.
O abalo sísmico chamou a atenção pelos riscos geológicos da região, que também tem enfrentado outros eventos extremos, como secas, enchentes e tempestades severas. No Chile, o cenário de desastres naturais também é crítico, com o governo decretando estado de calamidade nesta sexta-feira (09) após chuvas fortes causarem deslizamentos e enxurradas em Santiago e Las Condes.
Por que ocorrem tantos terremotos na região?
A localização geográfica da América Central e do Sul é um fator determinante. A costa do Oceano Pacífico está situada em uma área onde diferentes placas tectônicas interagem constantemente, movendo-se lateralmente, colidindo ou se afastando. Esse movimento gera tensões nas rochas que, ao serem liberadas, resultam em terremotos.
No caso específico do Panamá, essa dinâmica envolve a interação entre as placas do Caribe, de Cocos, de Nazca e a Sul-Americana, além de uma possível microplaca local que ainda é alvo de debates científicos. Esse conjunto de placas faz parte do chamado Círculo de Fogo do Pacífico, faixa marcada por alta atividade sísmica e vulcânica que afeta países como Chile, Peru, Equador, Venezuela, Colômbia e México.
O sismólogo José Alexandre Nogueira, da Universidade de São Paulo (USP), explica que os eventos sísmicos registrados em diferentes países não possuem, necessariamente, uma relação direta entre si, pois ocorrem em sistemas tectônicos distintos.
Há uma frequência maior de terremotos?
Embora haja a percepção de que os abalos estão mais frequentes, especialistas indicam que não há evidências de um aumento generalizado na atividade sísmica. Segundo o sismólogo do Observatório Nacional, Diogo Coelho, a impressão de maior frequência deve-se à ampliação do monitoramento tecnológico.
Com a instalação de mais estações sismográficas e a transmissão de dados em tempo real, como ocorre com a Rede Sismográfica Brasileira (RSBR), os eventos são detectados e divulgados com muito mais rapidez. Assim, o que se observa é uma maior capacidade de registro e comunicação dos fenômenos que sempre foram comuns na região.
Qual a relação entre terremotos e o clima?
É importante distinguir as causas dos desastres. Terremotos são processos geológicos causados pela movimentação interna da Terra, enquanto eventos como enchentes, secas e ondas de calor são processos atmosféricos e oceânicos. Não há evidências de que o aquecimento global seja responsável pelo aumento de terremotos de grande magnitude.
Por outro lado, eventos climáticos extremos são influenciados pelo aumento da temperatura média do planeta. O aquecimento dos oceanos altera a circulação da atmosfera e intensifica o ciclo da água, o que pode agravar episódios de chuvas intensas ou períodos de seca. A Organização Meteorológica Mundial (OMM) apontou, em relatório de maio de 2026, que a América Latina e o Caribe enfrentaram calor recorde e secas persistentes em 2025.
