Polícia da Turquia assume controle da Halk TV e prende 11 funcionários da emissora de oposição
Operação policial interrompeu transmissões ao vivo e nomeou interventor para administrar a emissora de oposição em Istambul.
Por Redação Diário Local
A polícia da Turquia assumiu o controle da sede da Halk TV, principal emissora de oposição no país, e prendeu 11 funcionários do canal nesta quarta-feira (14). A operação resultou na interrupção das transmissões ao vivo e na nomeação de um interventor para administrar a emissora.
O Ministério Público de Istambul informou que a Justiça emitiu mandados de prisão contra 17 pessoas. Durante ações realizadas simultaneamente, 11 indivíduos foram detidos. Segundo o órgão, as prisões fazem parte de uma investigação sobre suspeitas de corrupção, fraude em licitações e lavagem de dinheiro.
Com a intervenção, o controle da emissora privada foi transferido ao Fundo de Garantia de Depósitos de Poupança (TMSF), órgão público turco responsável pela administração de empresas sob intervenção judicial. A medida ocorre pouco mais de duas semanas após o bloqueio do site de notícias independente T24, que foi acusado de realizar propaganda LGBT.
O presidente da Halk TV, Cafer Mahiroglu, afirmou que o direito do público à informação está sendo cerceado por razões políticas. Em vídeo publicado nas redes sociais, ele relatou ainda que sete de seus parentes estão entre os detidos durante a operação policial realizada no período da manhã.
O líder do principal partido de oposição da Turquia, Özgür Özel, também criticou a intervenção das autoridades. Para o político, a ocupação de uma emissora de televisão e a nomeação de um interventor são práticas de regimes ditatoriais.
Jornalistas e veículos de comunicação que mantêm uma postura crítica ao governo turco são alvos frequentes de processos judiciais no país. As acusações variam de difamação e insultos ao presidente Recep Tayyip Erdogan até crimes de corrupção e divulgação de notícias falsas.
O cenário para a liberdade de imprensa no país é de tensão, segundo o Sindicato de Jornalistas da Turquia. De acordo com a entidade, 17 profissionais de imprensa continuam presos no país, e a repressão tem atingido também políticos da oposição e ativistas LGBTIQA+.
Pela legislação vigente na Turquia, as autoridades têm o respaldo para nomear um interventor para assumir o controle de empresas e municípios. O procedimento é permitido quando os dirigentes das instituições são alvos de investigações criminais ou mandados de prisão.
