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França

Violência e saques na França pressionam governo Macron e acirram disputa pelo Palácio Eliseu

Cenas de destruição e ataques a prédios públicos aumentam tensão política e favorecem candidata da extrema direita.

Por Redação Diário Local

A França enfrenta um aumento da tensão política e social a seis meses das eleições presidenciais, marcado por cenas de destruição, saques a lojas e ataques a prédios públicos. O cenário de violência, que inclui ataques a prefeituras, tem exposto a fragilidade do governo de Emmanuel Macron e intensificado as disputas entre os candidatos que pleiteiam a sucessão no Palácio Eliseu.

Com a aprovação do presidente francês estagnada na média de 15%, autoridades e especialistas alertam para o risco de uma conflagração sem precedentes no período pré-eleitoral. O diretor do Instituto Francês de Opinião Pública (Ifop), Frédéric Dabi, pontuou que o país vive uma divisão entre uma arena política de debates e uma arena social que ignora os candidatos por diversos motivos.

A líder da extrema direita, Marine Le Pen, apontada como favorita nas pesquisas para suceder Macron, tem sido beneficiada pelo caos instalado. A candidata da Reunião Nacional utiliza a situação para reforçar a necessidade de restaurar a ordem, apresentando-se como uma opção para uma "França apaziguada" e criticando as políticas do governo atual.

Apesar de apoiar as reivindicações ligadas ao custo de vida, Le Pen tem evitado defender as propostas de austeridade de seu próprio partido, que são consideradas mais radicais do que as medidas adotadas pelo atual governo. O contexto é agravado pela falta de maioria parlamentar e pelo endividamento público do país.

No campo da esquerda, o líder da França Insubmissa, Jean-Luc Mélenchon, condenou as pilhagens e o vandalismo, mas afirmou que aqueles que participam da sua luta não devem aderir ao caos. Em contrapartida, Mélenchon acusou o governo de permitir que a situação se deteriorasse sem oferecer soluções para a indignação popular.

A responsabilidade pelo cenário de instabilidade tem sido atribuída pelo premiê, Sébastien Lecornu, a grupos de oposição. O embate de narrativas ocorre em um momento de fragilidade institucional, onde o governo enfrenta dificuldades para implementar reformas e lidar com a dívida interna crescente.

Nas pesquisas de intenção de voto para as eleições de maio, o cenário para a vaga no segundo turno é de equilíbrio. Mélenchon aparece empatado com os candidatos Raphael Glucksmann, de centro-esquerda, e Edouard Philippe, de centro-direita.

A crise ocorre em um momento de esgotamento social na França, após sucessivos desafios como incêndios, seca e o aumento nos preços dos combustíveis. Sem apoio parlamentar e com a economia pressionada, o governo Macron enfrenta dificuldades para retomar o controle e apaziguar os ânimos antes do pleito.

Produzido pela redação do Diário Local com apoio de automação editorial, sob curadoria e revisão de Davy Albuquerque, editor responsável.