Zelensky critica acordo de Trump para compra de diesel russo e classifica decisão como 'injusta'
Presidente ucraniano classificou como 'terrível' o compromisso de Trump para importar milhões de toneladas de diesel da Rússia.
Por Redação Diário Local
O presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, classificou como “absolutamente terrível”, “injusta e desonesta” a decisão de Donald Trump, presidente dos Estados Unidos, de firmar um acordo para a compra de diesel da Rússia. O líder ucraniano afirmou que a medida beneficia o Kremlin e contribui para o prolongamento da guerra.
O compromisso foi anunciado por Trump nesta sexta-feira (09) em sua rede social, Truth Social. Segundo o presidente norte-americano, o acordo foi definido após conversa com Vladimir Putin e prevê a entrega de milhões de toneladas de diesel nos próximos meses.
Zelensky afirmou que o acordo “parece um presente de aniversário para Putin”, referindo-se ao aniversário de 74 anos do líder russo, celebrado no último dia nesta quarta-feira (7). O presidente ucraniano alertou que a medida permitirá que a Rússia cause ainda mais danos ao mundo e prolongue o conflito.
O líder de Kiev também declarou que os negociadores ucranianos foram usados como “cortina de fumaça” para o anúncio. No momento da divulgação, os representantes da Ucrânia se reuniam com enviados de Trump, incluindo Jared Kushner e Steve Witkoff, em Miami, para discutir propostas de encerramento da guerra.
Donald Trump justificou a medida alegando a necessidade de reduzir os preços dos combustíveis nos Estados Unidos. O custo do diesel atingiu recordes recentemente, impactando agricultores e caminhoneiros após o fechamento do Estreito de Ormuz pelo Irã, rota crucial para o fornecimento global de petróleo.
A decisão também gerou fortes críticas no Congresso americano. O deputado republicano Don Bacon afirmou que apoiar a economia de guerra da Rússia é “moralmente errado”, já que os recursos são utilizados para bombardeios em cidades.
Parlamentares democratas argumentaram que o acordo enfraquece uma lei sancionada pelo próprio Trump no mês passado. A legislação previa sanções contra o setor de petróleo russo, embora conceda ao presidente discricionariedade para abrir exceções.
Impactos e reações no terreno
O anúncio do acordo ocorreu em um cenário de escalada na violência. Zelensky afirmou, via rede social X, que a Rússia realizou ataques aéreos neste sábado (10) que resultaram na morte de 12 pessoas, incluindo três crianças.
O movimento de Trump ocorre em um momento de pressão econômica sobre o setor de combustíveis nos EUA. O galão de gasolina comum chegou a custar US$ 4,20, enquanto o diesel registrou recorde de US$ 6,52, gerando desgaste político para o governo republicano.
Pelo lado russo, o Kremlin reagiu de forma positiva à iniciativa norte-americana. Um porta-voz do governo de Vladimir Putin afirmou, neste sábado (10), que o presidente russo recebeu com “compreensão” as propostas de Trump para reduzir a escalada do conflito.
A relação entre os dois países é marcada por tensões recentes, incluindo o apoio russo ao Irã. Informações indicam que a Rússia tem fornecido dados de vigilância aérea e componentes para drones ao governo iraniano durante o conflito com os Estados Unidos.
Para Trump, a prioridade é garantir preços baixos para os setores produtivos americanos. Em sua publicação, ele destacou que a redução nos custos do combustível é essencial para grandes agricultores e pecuaristas dos Estados Unidos.
O desfecho das negociações em Miami e o impacto do novo fluxo de combustível russo no mercado global permanecem sob monitoramento de autoridades internacionais e membros da OTAN.
A medida de Trump busca mitigar o impacto da crise de suprimentos no mercado interno americano, mas enfrenta resistência de setores que defendem a continuidade das sanções econômicas contra o governo de Moscou.
