Biblioteca da USP segue fechada e sob cobertura provisória após episódios de alagamento
Unidade da Faculdade de Educação utiliza cobertura de lona para proteger acervo de 250 mil itens enquanto aguarda obras definitivas
Por Redação Diário Local
A biblioteca da Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo (USP), na Cidade Universitária, zona oeste da capital, permanece fechada ao público e operando com soluções temporárias para evitar a perda de seu acervo. Cinco meses após o desabamento do telhado provocado por fortes chuvas, o local registrou novos episódios de alagamento que colocam em risco o patrimônio de mais de 250 mil itens.
O primeiro incidente ocorreu em 11 de maio, durante as obras de substituição do telhado. Na ocasião, o teto cedeu devido ao impacto das chuvas somado à manutenção, obrigando funcionários a atuarem na salvaguarda dos livros. Em 12 de setembro (12), quase quatro meses depois, a biblioteca sofreu um segundo alagamento, atingindo o segundo andar, local para onde a coleção havia sido transferida como medida preventiva.
A administração da unidade informou que, após o incidente de maio, o contrato com a empresa responsável pela reforma foi rescindido. Como forma de proteção imediata, foi instalada uma lona para cobrir o local. Em 19 de setembro (19), após uma contratação emergencial, uma nova cobertura provisória, porém mais resistente, foi colocada para conter o fluxo de água até que a obra definitiva seja iniciada.
Como está a proteção do acervo?
Apesar das coberturas instaladas, a gestão do espaço classifica as medidas como "soluções temporárias". Atualmente, os servidores trabalham na proteção, conservação e reorganização das coleções, incluindo cerca de 4 mil itens que foram diretamente afetados pela água no mês de maio. Segundo a direção, o acervo segue preservado graças ao esforço contínuo das equipes de conservação.
O acervo da biblioteca é considerado um dos maiores da América Latina, contando com mais de 250 mil itens, sendo 60 mil obras raras e 40 mil livros didáticos. Enquanto a estrutura física não é recuperada, os atendimentos e consultas estão sendo realizados de forma on-line pelos servidores.
Quais são os próximos passos para a reforma?
A direção da biblioteca relatou um avanço nas últimas semanas após a reitoria da USP reconhecer o caráter emergencial da situação. A reitoria e a Superintendência do Espaço Físico (SEF) adotaram medidas para viabilizar a execução da obra definitiva, mas ainda não há uma data ou cronograma definido para o início dos trabalhos e a reabertura da unidade.
A pressão por soluções foi intensificada por mobilizações da comunidade acadêmica, incluindo um ato realizado no dia 28 de setembro (28). Segundo Reinaldo Santos, diretor do Sindicato dos Trabalhadores da USP (Sintusp) e representante da Faculdade de Educação, a mobilização foi determinante para que a situação fosse pautada e para o estabelecimento de compromissos junto à vice-reitoria.
O Sintusp defende a contratação imediata de uma empresa para a instalação do novo telhado, além de perícia no prédio, audiência pública e concursos para recomposição dos quadros de manutenção. A expectativa da comunidade é que uma perspectiva mais clara sobre o tempo de execução das obras seja apresentada nos próximos meses.
