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Cultura

Cinema Iris planeja novos modelos de negócio para acompanhar mudanças na Rua da Carioca

Com projeto para transformar a Rua da Carioca em 'Rua da Cerveja', o histórico cinema do Centro busca novos formatos de eventos e visitas guiadas.

Por Redação Diário Local

O Cinema Iris, localizado na Rua da Carioca, no Centro do Rio de Janeiro, planeja implementar novos modelos de negócio para se adequar às transformações previstas para a região. O estabelecimento avalia formatos que incluam a realização de eventos, tours guiados e a exploração de parcerias para a venda de bebidas, acompanhando o projeto da prefeitura de transformar a via na 'Rua da Cerveja'.

Segundo o atual gestor do espaço, Marcelo Argileu, a ideia é modificar o perfil de atuação do cinema para receber diferentes tipos de público. Entre os planos estão a exibição de filmes de época e a abertura para visitas monitoradas, que no momento são oferecidas de forma gratuita.

O gestor também não descarta parcerias com o setor de alimentação para se integrar ao novo cenário urbano. "A ideia é mudar o perfil do cinema, com espaço para venda de cerveja, abertura para visitação com tour guiado, exibição de filmes de época e até mesmo realização de eventos", afirmou Argileu, que é bisneto do fundador do local.

Resistência e história no Centro

Em atividade desde 1909, o Iris é um dos raros cinemas de rua da capital que nunca encerrou as atividades. O estabelecimento resistiu à migração de salas para centros comerciais, fenômeno que ocorreu a partir da década de 1980 devido à crescente violência na cidade.

Ao longo de sua trajetória, a programação do cinema já passou por estilos variados. No período do cinema mudo, as exibições eram acompanhadas por orquestras ao vivo. Posteriormente, o local atraiu a alta sociedade com apresentações de operetas, antes de enfrentar mudanças de público ligadas à popularização da TV e do VHS.

Atualmente, o horário das 10h às 19h é ocupado por sessões contínuas de filmes adultos, que atraem majoritariamente o público LGBTQIA+. No passado, o cinema também chegou a oferecer apresentações de strip-tease ao vivo durante os intervalos das sessões.

Tombamento e disputas judiciais

O imóvel é tombado desde 1978 pelo Instituto Estadual do Patrimônio Cultural (Inepac). A manutenção da propriedade pela família Cruz foi marcada por embates jurídicos para garantir a permanência no local, incluindo uma disputa na década de 1990 com a Venerável Ordem Terceira de São Francisco da Penitência, que buscava o despejo do cinema devido ao conteúdo exibido.

Teresa Cristina Repsold Paixão, familiar do gestor e que descende de administradoras do cinema, destaca que o esforço tem sido para preservar a história do local. O cinema também já serviu de palco para concertos de pianistas, bailes de carnaval e shows de artistas como Gonzaguinha e Los Hermanos.

Com as mudanças previstas para a Rua da Carioca, a família busca conciliar a preservação do patrimônio histórico com as novas dinâmicas comerciais do Centro do Rio. "Estamos preparando para receber qualquer tipo de evento, de shows a happy hour", afirmou a familiar sobre as perspectivas futuras.

Produzido pela redação do Diário Local com apoio de automação editorial, sob curadoria e revisão de Davy Albuquerque, editor responsável.