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Cultura

Exposição fotográfica em Juiz de Fora retrata espiritualidade e história da Etiópia

Trabalho de Carlos Hansen explora tradições milenares e o Cristianismo Ortodoxo Tewahedo com entrada gratuita.

Por Redação Diário Local

A exposição fotográfica “Sob o céu de Tewahedo”, do fotógrafo Carlos Hansen, está em cartaz no Centro de Preservação da Memória Negra, em Juiz de Fora. A mostra faz parte da programação do Novembro Negro, durante o Mês da Consciência Negra, e apresenta registros da herança milenar e da espiritualidade da Etiópia. A entrada é gratuita e a visitação segue disponível até o dia 30 de janeiro de 2027 (2027).

As fotografias retratam aspectos profundos da identidade africana, com destaque para as igrejas monolíticas de Lalibela, o fervor do Festival Meskel e a tradição do Cristianismo Ortodoxo Tewahedo. O trabalho busca romper com visões eurocêntricas sobre a história do cristianismo, resgatando tradições sagradas preservadas de forma única no país africano.

Segundo o fotógrafo, a atual exibição é uma evolução de seu trabalho anterior, “Fé esculpida em pedra”, apresentado em 2025. O novo projeto amplia o escopo ao incluir um volume maior de fotografias das igrejas de Lalibela e outros elementos da religião que não foram contemplados na mostra passada.

O nome da exposição, “Tewahedo”, tem origem no dialeto semítico Ge’ez, usado na liturgia tradicional etíope. O termo significa união e reflete a crença cristã de que as naturezas humana e divina de Cristo estão unidas em uma só.

História e contexto da Etiópia

Carlos Hansen relata que seu interesse pela Etiópia começou na década de 1980, por meio de imagens de Sebastião Salgado sobre uma seca na região. Na época, o país era frequentemente associado apenas ao sofrimento humano, mas o olhar do fotógrafo mudou ao conhecer a história das igrejas de Lalibela, que conferiam à região uma sensação de lugar parado no tempo.

Um dos pontos centrais destacados pelo fotógrafo é que a Etiópia possui uma trajetória distinta no continente, já que a região nunca foi colonizada por europeus. Essa característica permitiu a preservação de instituições como a Igreja Ortodoxa Tewahedo, cujas raízes remontam ao século 4 e que mantém rituais de grande solenidade e misticismo.

Para Hansen, o objetivo do registro é oferecer uma narrativa de orgulho para os afrodescendentes, combatendo estereótipos e estigmas sobre o continente africano. Ele busca mostrar a diversidade de uma cultura que, há cerca de 900 anos, já construía cidades inteiras esculpidas em pedra.

A mostra acontece na sede da Secretaria Especial da Igualdade Racial (Seir) e conta com o apoio do Sindicato dos Metalúrgicos de Juiz de Fora e Região, além do Sindicato dos Metalúrgicos Aposentados de Juiz de Fora.

Produzido pela redação do Diário Local com apoio de automação editorial, sob curadoria e revisão de Davy Albuquerque, editor responsável.