Facções do Rio enviam integrantes à Ucrânia para aprender uso de drones em guerra, diz polícia
Segundo a Polícia Civil, criminosos do Rio de Janeiro estão enviando membros para a Ucrânia para aprender técnicas de combate com drones.
Por Davy Albuquerque
Facções criminosas do Rio de Janeiro estão enviando integrantes de suas organizações para a Ucrânia para aprender técnicas de combate com drones, informou a Polícia Civil. Segundo o delegado Marcos Motta, da Coordenadoria de Operações Aéreas Não Tripuladas (Coant), a atividade criminosa passou a utilizar esses equipamentos como parte estratégica de suas ações.
Dados de inteligência indicam que as quadrilhas bancam a remessa de pessoas para fazer treinamento em cenários de guerra no exterior. O objetivo é aperfeiçoar o uso de drones, que têm sido adaptados para o lançamento de explosivos contra grupos rivais em áreas dominadas.
Como os ataques ocorrem?
De acordo com as investigações, criminosos utilizam drones para lançar granadas em territórios de facções opostas. A prática tem sido registrada em diversas regiões do Rio de Janeiro, colocando moradores em risco devido ao alcance dos explosivos em áreas residenciais.
Um dos episódios recentes envolveu o dano ao telhado da sede da Associação de Moradores da comunidade Parque Dois Irmãos, em Curicica. Segundo relatos de moradores, o explosivo foi arremessado por um drone. Casos semelhantes foram identificados na disputa entre grupos instalados na Muzema, Cidade de Deus e Gardênia Azul contra a milícia de Rio das Pedras.
A Polícia Militar registrou ainda que registros em redes sociais mostraram o controle de um drone logo após ataques em pontos de Rio das Pedras. Outro caso ocorreu no Complexo de Israel, onde um drone operado por criminosos da Favela do Quitungo lançou explosivos na área.
Fabricação de explosivos
As autoridades identificaram que os criminosos também fabricam parte dos artefatos utilizados nos ataques. A Polícia Civil aponta que integrantes das facções utilizam impressoras 3D para produzir a estrutura das granadas, que são posteriormente abastecidas com materiais inflamáveis.
Em maio, um adolescente de 15 anos foi atingido por estilhaços de uma granada lançada por drone na comunidade da Caixa d’Água, em Brás de Pina. A suspeita é de que o jovem tenha sido confundido com um criminoso rival durante o ataque.
Estratégia de segurança
Para enfrentar o avanço tecnológico do crime, as forças de segurança buscam especialização e novos conhecimentos. O delegado Marcos Motta afirmou que a polícia acompanha cenários de conflito para antecipar as novas formas de atuação das organizações criminosas e adotar medidas preventivas.
