Projeto de recuperação ambiental reativa nascente em São Gabriel da Palha para proteger produção de café
Iniciativa em propriedade rural busca combater a escassez de água que ameaça produtores e o setor de transportes no Espírito Santo
Por Redação Diário Local
Um projeto de recuperação ambiental em uma propriedade rural de São Gabriel da Palha, no Noroeste do Espírito Santo, conseguiu reativar uma nascente que estava totalmente seca. A iniciativa visa garantir a disponibilidade de recursos hídricos para a região, que é um polo de produção de café.
A nascente está localizada no Córrego General Rondon, na zona rural do município. O trabalho de restauração envolveu o cercamento da área, a limpeza do terreno, a recuperação do solo para combater a erosão e a construção de quatro barragens para reter a água da chuva. Além disso, foram plantadas entre 50 e 60 árvores na cabeceira do curso d'água.
Segundo Advaldo Antônio Zotelle, fundador da Cooperativa dos Caminhoneiros de São Gabriel da Palha (Coopcam), a área apresentava um quadro de degradação severa, com predominância de pastagens e escoamento rápido da água pluvial. O projeto busca preservar o que ele chama de Reserva Vovó Lena, em homenagem à mãe de Adenilson Francisco Zanotelle, responsável pela propriedade.
Riscos para a economia do café
A preservação de nascentes é estratégica para o município, que é reconhecido como a Capital Nacional do Café Conilon. A produção agrícola local movimenta mais de R$ 936 milhões por ano, sendo que o café responde por cerca de 85,5% de toda a lavoura permanente de São Gabriel da Palha.
A falta de água impacta diretamente a cadeia produtiva. A Coopcam atua no transporte de cargas e passageiros, sendo que 99% do que a cooperativa transporta são o café e os insumos, como fertilizantes, destinados às lavouras. A dependência do setor de transporte em relação à saúde da agricultura é um fator de vulnerabilidade econômica.
Projeções de mudanças climáticas
O esforço de recuperação ocorre em um momento de alerta para o clima no Espírito Santo. A professora da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), Kyssyanne Samihra Santos Oliveira, aponta que estudos indicam uma redução no volume de chuvas no estado, especialmente na porção centro-norte, desde 2021.
As projeções do Programa Capixaba de Mudanças Climáticas indicam que o território pode enfrentar um futuro mais quente e seco. Até a década de 2080, a temperatura pode subir entre 3,5 e 6 graus, dependendo do cenário de emissões. No Norte do estado, os períodos de estiagem podem aumentar em mais de 70 dias em comparação ao padrão registrado entre 1960 e 1990.
A vulnerabilidade hídrica afeta não apenas a agropecuária, mas também o abastecimento urbano, a indústria e a geração de energia. Dados do Sistema Integrado de Informações sobre Desastres indicam que prejuízos por desastres no Espírito Santo acumularam R$ 23,23 bilhões desde 1995.
