Golpes com clonagem de voz por IA disparam no Brasil e PF aponta alta de 830% em deepfakes

Criminosos clonam a voz de familiares com poucos segundos de áudio para pedir Pix de emergência; PF registra salto no uso de deepfakes em fraudes.

Por Diário Local

Os golpes que usam inteligência artificial para clonar vozes vêm crescendo no Brasil, segundo dados da Polícia Federal divulgados em junho de 2026. O uso de deepfakes, conteúdos falsos gerados por IA, aumentou 830% entre 2024 e 2025, e essas ferramentas já apareceram em 42,5% das fraudes financeiras registradas no país.

A modalidade mais comum é assustadoramente simples. Com cerca de 15 segundos de áudio público da vítima ou de um parente, retirados de redes sociais, criminosos conseguem reproduzir a voz e ligar simulando uma emergência, pedindo uma transferência via Pix imediata.

Como o golpe funciona?

O criminoso liga para a vítima usando a voz clonada de um filho, neto ou outro familiar. Em tom de urgência, alega um acidente, uma prisão ou uma dívida que precisa ser paga na hora, e pressiona para que o dinheiro seja enviado sem demora.

A pressa é a arma principal. O objetivo é impedir que a vítima pare para pensar ou confirme a história por outro caminho.

Como se proteger?

Especialistas em segurança recomendam interromper o impulso inicial e buscar validação por outros meios. A orientação prática é desligar e ligar de volta para o número que você já tem salvo da pessoa, em vez de confiar na ligação recebida.

Outra medida simples é combinar com a família uma palavra-código, conhecida apenas por vocês, a ser exigida em qualquer pedido de dinheiro por telefone.

Vale ainda desconfiar de qualquer cobrança urgente que peça Pix imediato, mesmo que a voz pareça idêntica à de um conhecido, já que a clonagem por IA ficou bastante convincente.

Reduzir a exposição de áudios e vídeos pessoais em redes sociais abertas também dificulta o trabalho dos golpistas, que dependem desse material para treinar a clonagem.

Em caso de golpe, a recomendação é registrar boletim de ocorrência e acionar o banco o mais rápido possível, já que há mecanismos de tentativa de bloqueio de transferências recentes.

A Polícia Federal e órgãos de defesa do consumidor têm reforçado campanhas de alerta diante do avanço desse tipo de fraude.

Revisado por Davy Albuquerque, editor responsável.