Aliados de Lula usam fala de assessora de Flávio Bolsonaro para criticar plano para o Bolsa Família
Governo utiliza declaração de coordenadora econômica de Flávio Bolsonaro sobre transição de beneficiários para questionar proposta de cortes.
Por Redação Diário Local
Aliados do presidente Luiz Inácio Lula da Silva intensificaram as críticas à proposta de campanha do senador Flávio Bolsonaro (PL) para o programa Bolsa Família. O movimento utiliza declarações da coordenadora econômica de Flávio, Daniella Marques, para questionar o plano de transição do parlamentar.
Em entrevista concedida à rádio CBN na Bahia, Daniella Marques afirmou que os beneficiários do programa teriam um prazo de dois anos para conseguir emprego formal ou abrir um negócio próprio. Segundo a coordenadora, caso não haja sucesso, o cidadão poderia retornar ao auxílio. "Quem está no Bolsa Família vai ter regra de transição, como teve na época do presidente Bolsonaro, de dois anos para que possa abrir o seu negócio ou aceitar um emprego de carteira assinada. Com uma regra de transição por dois anos e o retorno automático caso dê errado", declarou a auxiliar do candidato do PL.
A declaração foi repercutida por perfis ligados ao Partido dos Trabalhadores (PT) e pelo presidente Lula, que utilizaram o conteúdo para associar a proposta a cortes de gastos em programas sociais. O partido também resgatou uma postagem antiga de Flávio Bolsonaro sobre o programa.
O que diz Flávio Bolsonaro?
O senador Flávio Bolsonaro utilizou as redes sociais para rebater as acusações e afirmou que a campanha petista está espalhando informações falsas. O parlamentar declarou que não pretende acabar com o Bolsa Família e que a afirmação de que o programa terminaria em dois anos é mentira.
Flávio defende uma redução de R$ 200 bilhões nas contas públicas e propõe a diminuição do número de ministérios como forma de cortar despesas. Ele reiterou que, em uma eventual gestão do PL, o retorno ao programa seria automático para quem perder o emprego ou não mantiver o próprio empreendimento.
Como funciona a regra atual?
Atualmente, o Bolsa Família estabelece um limite de renda de R$ 218 por pessoa para o ingresso no programa. No entanto, o governo federal mantém uma regra de transição para evitar a exclusão imediata de quem consegue aumentar a renda.
Pela Regra de Proteção, famílias que ultrapassam o limite de R$ 218, mas mantêm renda mensal por pessoa de até R$ 706, podem continuar recebendo 50% do benefício por um período de até 18 meses. O Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome informou que o objetivo é permitir uma adaptação gradual após a conquista de um emprego.
