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Religião

Bispo que batizou Flávio Bolsonaro criticou Nossa Senhora em livro publicado em 2001

Em obra de 2001, o bispo JB Carvalho defendeu a retirada do título de padroeira do Brasil e questionou o feriado de nesta segunda-feira (12)

Por Redação Diário Local

O bispo JB Carvalho, que realizou o batismo evangélico de Flávio Bolsonaro e de sua esposa, Fernanda Bolsonaro, em 2024, escreveu críticas ao título de Nossa Senhora Aparecida como padroeira do Brasil em um livro publicado em 2001.

Na obra intitulada “A Bomba: A verdade pode ser explosiva”, o líder religioso defendeu a retirada do título da santa e afirmou que o feriado de nesta segunda-feira (12) é “ilegal”.

No texto, Carvalho associou a figura de Nossa Senhora à divindade pagã Rainha dos Céus, termo que ele relaciona a uma figura condenada no Antigo Testamento. O texto do bispo argumenta que “Deus odeia o culto à Rainha dos Céus”.

A circulação do livro tornou-se alvo de disputa na Justiça Federal. No final de setembro, a Associação Protetora dos Desvalidos apresentou uma notícia-crime contra a divulgação da obra, alegando incitação à discriminação religiosa.

O protocolo da ação ocorreu na segunda-feira (28) e solicita que a Justiça determine a suspensão da circulação e da divulgação do conteúdo em sites e aplicativos de mensagens.

Perfil e atuação de JB Carvalho

JB Carvalho é teólogo, escritor e fundador da Comunidade das Nações. A organização religiosa tem sede localizada em Brasília e conta com mais de 50 unidades espalhadas pelo Brasil, Estados Unidos e Portugal.

O bispo mantém uma relação de proximidade com o núcleo familiar do ex-presidente Jair Bolsonaro. Além de batizar o candidato ao Planalto e sua mulher, em 2024, ele tem participação ativa em eventos da família.

Durante a campanha de reeleição de Jair Bolsonaro, ocorrida em 2022, o líder religioso participou de eventos na igreja. Na ocasião, a senadora eleita Michelle Bolsonaro também esteve presente nas atividades.

A relação entre o bispo e o grupo político abrange diversos membros da família, incluindo o próprio Flávio Bolsonaro e a senadora Michelle Bolsonaro (PL-DF).

A controvérsia jurídica sobre o livro de Carvalho levanta debates sobre os limites da liberdade de expressão e a proteção contra a discriminação religiosa no país.

O caso agora aguarda movimentação no Judiciário para decidir se a obra deve ter sua distribuição interrompida nos meios digitais, conforme solicitado pela associação.

Até o momento, os detalhes sobre a resposta da defesa de Carvalho ou da própria instituição religiosa acerca da notícia-crime não foram detalhados na ação protocolada.

O livro, escrito há mais de duas décadas, voltou ao centro das atenções devido ao novo enquadramento jurídico apresentado pela Associação Protetora dos Desvalidos.

Produzido pela redação do Diário Local com apoio de automação editorial, sob curadoria e revisão de Davy Albuquerque, editor responsável.