Eleitores brasileiros no exterior criam redes de apoio para reduzir abstenção no segundo turno
Grupos de brasileiros em diversos países oferecem carona e hospedagem gratuita para facilitar o deslocamento até as urnas no segundo turno.
Por Redação Diário Local
Brasileiros que residem fora do Brasil estão se organizando em redes de apoio para tentar reduzir o índice de abstenção no segundo turno das eleições presidenciais, que ocorre no próximo domingo (25). As iniciativas buscam facilitar o deslocamento de eleitores por meio de caronas e hospedagem gratuita.
No primeiro turno, a abstenção entre os brasileiros aptos a votar no exterior chegou a 62,7%, o maior patamar desde 2010, segundo dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). O contingente de eleitores cadastrados para votar fora do país atingiu o recorde de 916,5 mil pessoas em 2026, o maior desde 1989, mas menos de 341,8 mil compareceram às seções espalhadas por 134 países.
Por que a abstenção no exterior é alta?
A infraestrutura para a votação no exterior não acompanhou o crescimento do número de eleitores cadastrados, o que dificulta o acesso às urnas. O professor de Geografia Política da Universidade de Brasília (UnB), Daniel Abreu, avalia que a estrutura de urnas eletrônicas no território nacional é muito mais capilarizada do que no exterior.
Além disso, a logística e os custos financeiros são barreiras significativas. A pesquisadora Teresa Schneider, da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS), aponta que o intervalo de três semanas entre os turnos pode ter encarecido o deslocamento, levando muitos imigrantes a priorizarem o orçamento para o segundo turno.
Redes de apoio e mobilização digital
Para combater esses obstáculos, surgiram grupos como o "Voto Sem Fronteiras", que conecta pessoas que precisam de carona ou estadia a quem pode oferecer o suporte via Instagram. Outra plataforma, o site "Voto Lá Fora", criado pelo engenheiro de computação Pedro Morel, já reúne mais de 900 anúncios de carona e hospedagem em 29 países.
Essas ações buscam ser estritamente apartidárias. Segundo os organizadores, não há menção a orientações políticas ou preferências eleitorais nos cadastros, focando apenas em detalhes logísticos como endereço e contatos para facilitar a mobilidade dos cidadãos.
O que diz a legislação eleitoral
O professor de Direito da Universidade de São Paulo (USP), Bruno Lorencini, esclarece que a resolução do TSE nº 23.759/2026 proíbe candidatos, partidos ou pessoas de oferecerem carona ou refeições para influenciar o voto. No entanto, a jurisprudência permite o auxílio entre vizinhos ou amigos, desde que não haja finalidade de compra de voto ou influência eleitoral.
A expectativa é que a polarização da disputa e a busca por reduzir os custos de deslocamento ajudem a elevar o comparecimento neste domingo (25). Em 2022, a abstenção no exterior foi de 56,2% no primeiro turno e de 55,3% no segundo turno.
