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Checagem

Checagem aponta erros de Lula sobre empregos e obras paralisadas em entrevista na TV Globo

Análise detalha pontos onde o presidente exagerou em números de empregos e subestimou quantidade de obras paralisadas.

Por Redação Diário Local

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) apresentou dados imprecisos e exagerados sobre emprego, obras e contas públicas durante entrevista concedida à TV Globo nesta quinta-feira (15). Enquanto informações sobre o endividamento da população e o programa Desenrola foram confirmadas, outros números sobre a gestão anterior e o saldo de vagas criadas foram contestados por dados oficiais.

Sobre o mercado de trabalho, Lula afirmou ter criado 22 milhões de empregos durante seu segundo mandato. No entanto, registros sobre a evolução do emprego formal mostram que o total de postos com carteira assinada passou de 28,7 milhões em 2002 para 44,1 milhões em 2010. O saldo real de vagas criadas no período foi de aproximadamente 14 milhões, e não 22 milhões como declarado.

No setor de infraestrutura, o presidente declarou que encontrou 6 mil obras paralisadas ao assumir o governo em 2023. Contudo, levantamentos do Tribunal de Contas da União (TCU) indicam que o número era superior. Em abril de 2023, o órgão registrava 8.603 obras paralisadas em todo o país, número que superou a estimativa apresentada pelo presidente.

O que dizem os dados sobre as contas públicas?

Lula afirmou que seu governo propôs um orçamento com superávit de 0,1%, mas alegou que a gestão anterior, de Jair Bolsonaro (PL), havia deixado um déficit de 2,8%. A análise mostra que a declaração sobre o déficit é enganosa. Em 2022, último ano da gestão Bolsonaro, o governo central registrou um superávit fiscal de cerca de 0,6% do Produto Interno Bruto (PIB).

O resultado positivo de 2022 foi influenciado pelo calote em precatórios e pelo adiamento de pagamentos de compensações a estados devido à desoneração dos combustíveis. Em contrapartida, em 2023, o país registrou um déficit de 2,4% devido a gastos que haviam sido represados na administração anterior.

Por outro lado, o presidente acertou ao mencionar o endividamento da população. Lula afirmou que, ao assumir o governo em 2023, 78% dos brasileiros estavam endividados. O dado coincide com a Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), realizada pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC).

Imprecisões na base aliada e na Reforma do Judiciário

Quanto ao apoio parlamentar, Lula disse ter sido eleito com 70 deputados e nove senadores do PT, alegando que quase todos os partidos participaram de seu governo. A informação é imprecisa, pois o PT elegeu 68 deputados e nove senadores. Além disso, partidos como Novo, PSDB, Podemos, Avante e Solidariedade não integraram o primeiro escalão de ministérios do atual governo.

Sobre a Reforma do Judiciário, o presidente afirmou ter realizado a primeira reforma da área. Embora a Emenda Constitucional nº 45 tenha sido aprovada durante seu primeiro mandato, o projeto original foi apresentado ainda em 1992, por meio de uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) pelo então deputado federal Hélio Bicudo, do PT.

Produzido pela redação do Diário Local com apoio de automação editorial, sob curadoria e revisão de Davy Albuquerque, editor responsável.