CNJ afasta juiz de tribunal do Piauí suspeito de beneficiar alvos da Carbono Oculto 86
Corregedoria Nacional de Justiça determinou afastamento cautelar do magistrado após apurar indícios de irregularidades em decisões relacionadas à operação que investiga infiltração do PCC no mercado de combustíveis.
Por Diário Local
A Corregedoria Nacional de Justiça, ligada ao CNJ (Conselho Nacional de Justiça), determinou o afastamento cautelar do juiz Valdemir Ferreira Santos, do Tribunal de Justiça do Piauí, por indícios de direcionamento judicial para beneficiar investigados da operação Carbono Oculto 86. A decisão foi divulgada na terça-feira (30 de junho de 2026).
Segundo a Corregedoria, as suspeitas envolvem a atuação do magistrado na Central de Inquéritos de Teresina em relação a investigações sobre infiltração de uma organização criminosa ligada ao Primeiro Comando da Capital (PCC) no mercado de combustíveis. A apuração verifica se houve irregularidade e possível usurpação de competência nas decisões do juiz.
O órgão afirma que Valdemir Ferreira Santos teria trancado um inquérito após o oferecimento de denúncia pelo Ministério Público do Piauí, cassado medidas cautelares que haviam sido restabelecidas pelo tribunal estadual e determinado a retirada de provas de uma ação penal que tramitava em outro juízo.
Medidas adotadas
Além do afastamento, a Corregedoria Nacional instaurou correição no gabinete do magistrado — uma inspeção para analisar processos, decisões, procedimentos internos, condutas e eventuais irregularidades. A Corregedoria também determinou o bloqueio do acesso de Valdemir Ferreira Santos aos sistemas e às dependências do tribunal.
O afastamento é cautelar e não representa condenação administrativa ou criminal do magistrado. Trata-se de medida preventiva enquanto a Corregedoria conclui a apuração.
O que levou ao afastamento
O caso envolve uma decisão de Valdemir Ferreira Santos que havia trancado um inquérito ligado à Carbono Oculto 86. A investigação apurava suspeitas de lavagem de dinheiro e organização criminosa envolvendo empresários do setor de combustíveis no estado.
Na decisão, o juiz citou entendimento do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, sobre o uso de RIFs (Relatórios de Inteligência Financeira) do Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras) em investigações criminais. O magistrado entendeu que os relatórios teriam sido usados de forma irregular na apuração e determinou o trancamento do inquérito, a anulação de provas obtidas a partir dos RIFs e a retirada de provas derivadas de outros procedimentos.
A decisão foi derrubada pelo Tribunal de Justiça do Piauí no mesmo mês, após recurso do Ministério Público. O tribunal restabeleceu as medidas cautelares e permitiu a continuidade da investigação.
Sobre a Carbono Oculto 86
A Carbono Oculto 86 é um desdobramento da operação Carbono Oculto e investiga suspeitas de lavagem de dinheiro, fraude no setor de combustíveis e uso de empresas para ocultação de patrimônio. O braço piauiense da investigação mira empresários do Piauí, Maranhão e Tocantins.
Segundo as apurações, a estrutura teria relação com o esquema investigado em São Paulo sobre a infiltração do PCC no mercado de combustíveis. No Piauí, a investigação atingiu empresários ligados à Rede de Postos HD.
