Lula ignora conselho do Planalto e chama Wagner de 'irmão' em evento na Bahia
Presidente desobedeceu orientação de assessores e fez discurso público elogiando o senador, que enfrenta investigação da PF sobre irregularidades no Banco Master.
Por Diário Local
O presidente Lula contrariou integrantes do Palácio do Planalto ao chamar o senador Jaques Wagner (PT-BA) de "irmão" durante evento na Bahia nesta quarta-feira (1º de julho). A atitude desagradou assessores palacianos que orientavam o presidente a manter distância do senador.
Wagner enfrenta momento delicado após se tornar alvo de uma operação da Polícia Federal que apura irregularidades no Banco Master, instituição que foi comandada pelo banqueiro Daniel Vorcaro. A avaliação dentro do Planalto é de que proximidade pública com o senador poderia contaminar a campanha de Lula à reeleição.
A semana anterior, Wagner havia deixado a liderança do governo no Senado sob pressão de parlamentares da base e integrantes do PT. Mesmo assim, Lula optou por elogiar publicamente o senador baiano.
Durante o discurso, o presidente afirmou: "Tem pouca coisa que a gente não escolhe na Bahia. A gente não escolhe pai, mãe, irmão, irmãs. A gente escolhe companheiros, e aqui na Bahia eu tenho companheiros de longa data."
Lula seguiu ressaltando sua ligação com Wagner, ao lado de outros políticos baianos como Rui Costa e Jerônimo Rodrigues. "O que representa para mim a minha relação com o Jaques Wagner, a minha relação com o Rui Costa, a minha relação com o Jerônimo, a minha relação com vários deputados que estão aqui.", completou.
Na sequência, o presidente utilizou uma expressão que marcou seu posicionamento sobre a amizade política. "Porque a verdade é esta: é que nem todo irmão é um amigo, mas todo amigo é um irmão. E essas pessoas, ao longo da vida, têm me ajudado a fazer o que eu faço, a ser o que eu sou", encerrou Lula.
Wagner é aliado de primeira hora do presidente e integra a base governista no Senado desde a campanha de reeleição de Lula se intensificar nos próximos meses.
