TRE-DF explica como urnas no exterior são preparadas para o segundo turno das eleições
Servidores realizam suporte virtual para as urnas que permanecem fora do país entre os dois turnos de votação.
Por Redação Diário Local
As urnas eletrônicas enviadas para a votação de brasileiros no exterior permanecem fora do país durante o intervalo entre o primeiro e o segundo turno das eleições de 2026. Diferente do que ocorre no território nacional, onde os equipamentos são recolhidos e preparados para a nova rodada, a logística internacional utiliza suporte virtual para otimizar o tempo.
A organização do processo cabe ao Tribunal Regional Eleitoral do Distrito Federal (TRE-DF), que coordena a logística das eleições no exterior. O intervalo de 21 dias entre os turnos é considerado curto para o deslocamento físico dos equipamentos, o que exige uma atuação conjunta com embaixadas e consulados.
De acordo com o secretário de Tecnologia do Tribunal, Andrey Bernardes, a janela de tempo entre os pleitos inviabiliza o recebimento, a migração de dados e o reenvio das urnas para o exterior. Por isso, o suporte técnico é realizado de forma remota para garantir a continuidade do processo.
A preparação dos dispositivos começa antes mesmo do primeiro turno. No envio das urnas, o TRE-DF inclui dois pacotes de mídias para cada equipamento, semelhantes a pendrives. Cada mídia é destinada a um turno específico e carrega as informações dos candidatos que aparecerão na tela.
Assim que o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) fecha o sistema e identifica os candidatos que avançaram para a segunda fase, os arquivos são enviados digitalmente. Servidores do Ministério das Relações Exteriores, capacitados para a função, recebem os dados e realizam a atualização.
Além da carga de dados, esses servidores realizam testes de funcionamento em todos os componentes físicos. É necessário verificar a integridade da tela, dos teclados e de todos os periféricos para garantir que a urna esteja apta para a nova votação.
Como funciona a atualização das urnas?
A urna eletrônica comum só consegue reconhecer os arquivos do segundo turno se tiver sido utilizada previamente no primeiro turno. Essa transição ocorre através da troca das mídias com os dados dos candidatos.
Para situações de falha técnica, são utilizadas as urnas de contingência. Esses equipamentos de reserva são projetados para rodar apenas o segundo turno, caso as urnas titulares apresentem defeitos que impossibilitem o uso.
Segundo o TRE-DF, o transporte internacional pode causar danos aos sistemas devido a impactos durante o deslocamento. No atual ciclo, 15 urnas de reserva foram enviadas para substituir parte das 29 que apresentaram falhas ou danos durante a votação do primeiro turno.
Quais são os desafios da votação no exterior?
O crescimento do eleitorado brasileiro fora do Brasil é um dos principais desafios logísticos. Em 2006, quando as seções eleitorais no exterior foram implementadas, o país tinha cerca de 86 mil eleitores aptos.
Vinte anos depois, em 2026, esse contingente saltou para 918,9 mil brasileiros. Apesar do aumento da base de eleitores, o sistema enfrenta índices elevados de abstenção, impactando a participação democrática.
A distância geográfica é apontada como a principal causa da baixa participação. Muitos eleitores residem a milhares de quilômetros dos locais onde as urnas estão disponibilizadas, o que exige deslocamentos caros e demorados.
No primeiro turno de 2026, a abstenção alcançou 62,69%, um aumento em relação aos 56,24% registrados no pleito de 2022. Ao todo, apenas 341.766 cidadãos aptos compareceram para votar na primeira rodada.
Vale lembrar que, no exterior, a votação é exclusiva para o cargo de presidente da República. Por este motivo, não há envio de urnas para eleições municipais, como ocorreu no processo de 2024.
O voto permanece obrigatório para brasileiros com idade entre 18 e 70 anos. Aqueles que não comparecerem às seções eleitorais devem realizar a justificativa de ausência conforme as normas vigentes.
