Ricardo Salles e Marina Helena gastaram R$ 78 mil em anúncios contra a esquerda
Justiça determinou suspensão de anúncios de Marina Helena e multou Ricardo Salles por propaganda eleitoral negativa em São Paulo.
Por Redação Diário Local
O ex-ministro Ricardo Salles e a deputada federal eleita Marina Helena gastaram, juntos, pelo menos R$ 78,4 mil com o impulsionamento de conteúdos contra a esquerda nas redes sociais durante o primeiro turno das eleições em São Paulo. Os valores correspondem a R$ 30,9 mil para Salles e R$ 47,5 mil para Marina Helena.
Em decisão publicada na última quinta-feira (9), o Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo (TRE-SP) determinou a suspensão de nove anúncios de propaganda negativa de Marina Helena. O político Ricardo Salles, que é deputado federal, também teve 32 posts com impulsionamento retirados do ar em setembro após entendimento semelhante.
Multas e suspensões de anúncios
A Justiça Eleitoral aplicou uma multa de R$ 61 mil a Ricardo Salles. A penalidade é o dobro do valor estimado de gastos com os impulsionamentos, que somaram pouco mais de R$ 30 mil. A análise jurídica considerou ilícitos cinco grupos de anúncios veiculados entre 24 e 30 de agosto nos perfis de Salles no Facebook e Instagram.
Entre os conteúdos suspensos estavam vídeos com o slogan "Fora Lula", críticas à atuação de Simone Tebet no agronegócio e acusações de que o PT seria o "partido da censura, da corrupção e da incompetência". Outros anúncios associavam o partido ao governo federal e utilizavam expressões de ataque direto.
Marina Helena foi alvo de duas representações eleitorais por recortes de vídeos. Na primeira, foram suspensos 11 anúncios impulsionados entre 11 e 14 de setembro, que associavam o Bolsa Família e o Pé-de-Meia à "compra de voto". Esse lote de publicidade custou pelo menos R$ 23,2 mil e gerou cerca de 2 milhões de impressões.
Uma decisão mais recente determinou a suspensão de nove anúncios contratados nos dias 22 e 26 de setembro, com custos entre R$ 24,3 mil e R$ 27,8 mil. Os conteúdos envolviam discussões sobre regimes autoritários em que a deputada utilizou tratamentos considerados depreciativos.
Reação dos envolvidos
Tanto Salles quanto Marina Helena não negaram o uso de impulsionamento em entrevista. O ex-ministro justificou a estratégia como uma forma de combater a corrupção e o Partido dos Trabalhadores (PT), afirmando que qualquer ação com esse objetivo "vale a pena".
Marina Helena, por meio de nota, rebateu as acusações de propaganda negativa. A deputada afirmou que foi processada pela coligação do PT após chamar um rapaz de "petista" durante um podcast e argumentou que apenas falou verdades.
As ações judiciais foram movidas pela coligação Desperta São Paulo, que reúne as federações Brasil da Esperança e PSol-Rede, além dos partidos PDT e PSB.
