Campanha de Flávio Bolsonaro propõe transição de 2 anos para beneficiários do Bolsa Família
Coordenadora econômica de Flávio Bolsonaro anuncia regra de transição para quem buscar emprego ou empreender, com retorno automático ao benefício.
Por Redação Diário Local
A coordenadora econômica da campanha de Flávio Bolsonaro (PL), Daniella Marques, anunciou nesta segunda-feira (19) uma regra de transição de dois anos para beneficiários do Bolsa Família que busquem emprego formal ou abertura de negócio próprio. A proposta prevê o retorno automático ao benefício caso o cidadão não consiga se manter no mercado de trabalho ou no empreendedorismo durante o período de 24 meses.
A declaração foi feita em entrevista à rádio CBN Bahia e passou a ser utilizada por aliados do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para criticar o senador. Os aliados do petista afirmam que a medida poderia resultar no fim do programa em dois anos. O áudio da entrevista circulou entre apoiadores do governo durante a campanha para o segundo turno, que será realizado no domingo (25).
Segundo Daniella Marques, a Caixa Econômica Federal (CEF) e o Banco do Nordeste (BNB) atuariam como braços de apoio financeiro nessa transição. O objetivo é oferecer crédito para pequenos empreendedores que desejam deixar o programa social. A ex-presidente da Caixa também indicou a intenção de criar o chamado “Ministério da Prosperidade”, voltado para a concessão de crédito e capacitação.
Como funcionaria a proposta de transição?
De acordo com Marques, a medida funcionaria como uma regra de transição semelhante à adotada no governo Bolsonaro. A ideia é garantir que quem tentar a inserção no mercado de trabalho ou o empreendedorismo tenha o retorno assegurado ao auxílio caso o novo ciclo não prospere.
Em publicação no Instagram, Flávio Bolsonaro detalhou a medida de forma distinta da coordenadora. Pelo relato do senador, o beneficiário continuaria recebendo o Bolsa Família por até dois anos após conseguir emprego com carteira assinada ou abrir uma empresa, e não apenas durante a tentativa de transição.
Apesar das declarações, o plano de governo de 76 páginas apresentado por Flávio Bolsonaro durante a campanha ao Planalto não faz menção à proposta, ao Bolsa Família ou ao mencionado ministério. Aliados do PT também resgataram publicações de 2011, quando o senador mencionou em uma emenda a um projeto a limitação do período de recebimento do benefício.
Qual é a situação atual do Bolsa Família?
Atualmente, o programa já possui uma regra de proteção vigente. Famílias cujas rendas ultrapassem o teto de elegibilidade podem continuar recebendo 50% do valor original por até 18 meses. O programa passou por um reajuste em setembro de 2026, com alta de cerca de 15% no piso, que subiu de R$ 600 para R$ 691.
O novo valor passou a ser pago nesta segunda-feira (19). Para ter direito ao Bolsa Família, a renda mensal por pessoa da família deve ser de até R$ 218. Em resposta às críticas, Daniella Marques afirmou que a campanha não pretende cortar programas sociais, mas sim "cortar privilégios em Brasília", como supersalários e gastos excessivos da máquina pública.
