Programa Smart Sampa sofre vazamento de dados e serve de modelo para plano de Flávio Bolsonaro
Sistema de monitoramento de São Paulo teve imagens de 58 mil câmeras expostas e é referência para projeto nacional de segurança.
Por Redação Diário Local
O sistema de monitoramento por câmeras e reconhecimento facial Smart Sampa, da Prefeitura de São Paulo, sofreu um vazamento de dados sigilosos. A falha expôs imagens de mais de 58 mil dispositivos instalados em vias públicas, escolas, creches e hospitais do município.
A administração municipal atribuiu o ocorrido a um agente de segurança, que já foi afastado do cargo, e negou que o episódio tenha sido causado por uma falha de segurança no sistema. O vazamento teria deixado informações sensíveis disponíveis na rede por aproximadamente 11 meses, conforme informações divulgadas nesta terça-feira (20).
O programa paulista é citado no plano de governo de Flávio Bolsonaro (PL), candidato à presidência, como referência para a criação do 'Muralha Brasileira'. O projeto nacional prevê a instalação de mais de 1 milhão de câmeras em portos, aeroportos e áreas públicas para integrar o reconhecimento facial a bancos de dados criminais.
Como funciona o Smart Sampa?
O Smart Sampa utiliza inteligência artificial para cruzar imagens captadas por câmeras com registros policiais. Os equipamentos transmitem dados em tempo real para uma central, que auxilia a Guarda Civil Metropolitana e a Polícia Militar em ocorrências e na busca por foragidos da Justiça.
Além da segurança, o sistema é usado para identificar veículos com placas adulteradas e localizar cidadãos desaparecidos. O funcionamento segue um protocolo onde apenas correspondências com 90% de paridade geram avisos, exigindo que um operador humano confirme a informação antes de qualquer abordagem nas ruas.
A infraestrutura do programa integra sensores de vias públicas, prédios e também de parceiros privados, como condomínios e estabelecimentos comerciais. O armazenamento das gravações chega a 14 dias e a rede inclui dispositivos móveis, como robôs de quatro patas utilizados em eventos de grande porte.
Quais as controvérsias do projeto?
Desde o início das licitações, a implementação do sistema enfrentou questionamentos de órgãos de fiscalização e entidades civis. Especialistas levantaram preocupações sobre a proteção de dados individuais e o risco de identificações incorretas por meio de algoritmos.
Em resposta a esses pontos, a prefeitura de São Paulo revisou diretrizes contratuais e incluiu relatórios de impacto de privacidade. Em outro momento, o Tribunal de Contas do Município determinou a suspensão de um processo de comercialização do formato para outras prefeituras, visando esclarecer as regras de competitividade entre empresas privadas.
