Quase 65% das cidades brasileiras têm baixa vacinação contra o sarampo, diz Ministério da Saúde
Dados do Ministério da Saúde mostram que 3.589 municípios não alcançaram a cobertura ideal da vacina tríplice viral em 2026.
Por Redação Diário Local
Quase 65% dos municípios brasileiros apresentam índices de cobertura vacinal abaixo do nível considerado ideal para a proteção contra o sarampo, a caxumba e a rubéola. De acordo com dados do Ministério da Saúde, 3.589 cidades registraram menos de 95% de aplicação da segunda dose da vacina tríplice viral entre janeiro e agosto de 2026.
O levantamento mostra um contraste nos índices de imunização. Enquanto a cobertura para a primeira dose em crianças de até um ano é de 94,66%, o número referente à segunda dose cai para 79,78%, patamar considerado insuficiente para garantir a imunidade necessária.
A vacina é oferecida em redes municipais em todo o País e deve ser aplicada em crianças de 12 meses (primeira dose) e 15 meses (segunda dose). O imunizante também é indicado para adultos e adolescentes que não completaram o esquema, além de profissionais de saúde, sendo necessário apenas duas doses ao longo da vida.
Como estão os índices por cidades e capitais?
No cenário municipal, a cidade de Adelândia (GO) obteve a melhor média de vacinação, com índice acima de 100%. No extremo oposto, Serra Azul (SP) ocupou a última posição no ranking, com média de 6,78%.
Em relação à segunda dose, Buriti de Goiás (GO) registrou a maior taxa de cobertura, enquanto Capela de Santana (RS) apresentou o menor índice, com apenas 1,98%. O mês de fevereiro de 2026 foi o período de menor adesão no país, com média nacional de 82,70%.
Entre as capitais, Curitiba (PR) registrou a melhor média acumulada, acima de 95%. Belém (PA) apresentou o menor índice entre as capitais, com 79,29% de cobertura.
Qual o cenário da doença no Brasil?
Embora o Brasil não registre circulação endêmica do sarampo, de acordo com a Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS), o país ainda apresenta casos esporádicos. Até o dia 5 de outubro (05), foram registrados 52 casos importados da doença, com 41 ocorrências em São Paulo, 10 no Amazonas e uma no Rio de Janeiro.
A Secretaria Estadual de Saúde de São Paulo alertou que 90,2% dos 41 infectados no estado não haviam sido vacinados ou estavam com o esquema incompleto. A cidade de São Paulo concentra a maior parte das ocorrências, com 37 casos.
O histórico de imunização no Brasil também mostra oscilações. Entre 2015 e 2026, o índice nacional mais alto foi em 2019, com 81,55%. Durante a pandemia de Covid-19, o nível de cobertura atingiu o recorde negativo de 53,20% em 2021.
