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Saúde

Banha de porco e pão de queijo: o que a ciência e a tradição dizem sobre o consumo

Especialistas explicam o impacto da gordura saturada e o valor nutricional do pão de queijo, destacando a importância da moderação.

Por Redação Diário Local

O consumo de banha de porco e de pão de queijo, ícones da gastronomia de Minas Gerais, é cercado de mitos nutricionais que nem sempre acompanham as evidências científicas. Especialistas explicam que o impacto desses alimentos na saúde está diretamente ligado à frequência e à quantidade consumida dentro de um conjunto alimentar equilibrado.

A banha de porco foi historicamente utilizada em comunidades rurais antes da chegada de óleos vegetais industrializados. No entanto, sua composição possui uma quantidade significativa de gordura saturada, o que exige cautela no uso.

De acordo com a American Heart Association, o consumo elevado de gorduras saturadas pode elevar os níveis de LDL, o chamado colesterol ruim. Por isso, a orientação de especialistas é priorizar gorduras insaturadas, como os óleos vegetais líquidos de soja, canola, milho e girassol.

O uso da banha não precisa ser visto como algo proibido, mas deve ser limitado. O argumento de que as populações antigas consumiam o produto sem problemas de saúde não é uma conclusão científica válida, pois os hábitos de vida e o nível de atividade física eram diferentes nos tempos passados.

O que diz a ciência sobre o pão de queijo

O pão de queijo também é alvo de interpretações equivocadas. Por não utilizar farinha de trigo em seu preparo tradicional, o alimento é isento de glúten, mas essa característica não o torna automaticamente uma opção de baixa caloria ou de consumo livre.

O valor nutricional do alimento varia conforme a receita, o tamanho da unidade e a quantidade de queijo e gordura utilizados. Dependendo desses fatores, o pão de queijo pode apresentar teores elevados de sódio, carboidratos e gordura.

Rotular o pão de queijo como um alimento que provoca ganho de peso é uma simplificação. Segundo a ciência nutricional, o aumento de peso está atrelado ao excesso no consumo diário e ao estilo de vida, e não a um ingrediente isolado.

Outro ponto é a ideia de que a banha é obrigatória para manter a tradição do preparo. Registros históricos indicam que a receita sempre aceitou diferentes tipos de gordura, como manteiga e óleo, além de variados tipos de queijo, como o Minas e o meia cura.

Origens e patrimônio cultural

A origem do pão de queijo não possui um inventor ou uma data de criação registrada. Sua formação deriva das fazendas mineiras a partir da combinação de ingredientes disponíveis, com destaque para a mandioca.

O polvilho, derivado da raiz, já era utilizado por povos indígenas muito antes do estabelecimento da sociedade mineira. A escolha do tipo de polvilho é o que altera o resultado final da textura e do sabor.

Segundo informações da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), o polvilho azedo possui características que favorecem a expansão da massa durante o processo de assamento. A técnica de escaldar o amido com líquido quente também interfere na consistência do alimento.

O Governo de Minas Gerais reconhece os sistemas culinários relacionados ao milho e à mandioca como patrimônio cultural imaterial do estado. A medida valoriza os conhecimentos e as tradições transmitidas entre gerações nas regiões mineiras.

Em resumo, a ciência reforça que respeitar a tradição não exige ignorar os dados de saúde. Nem a banha de porco, nem o pão de queijo precisam ser encarados como vilões ou como alimentos milagrosos, bastando manter o equilíbrio e a moderação no consumo.

Produzido pela redação do Diário Local com apoio de automação editorial, sob curadoria e revisão de Davy Albuquerque, editor responsável.