Médicos alertam que check-up deve ser personalizado e evitar excesso de exames desnecessários
Especialistas explicam que a indicação de testes deve considerar o perfil, a genética e os fatores de risco de cada paciente para evitar excessos.
Por Redação Diário Local
A realização de exames de rotina não deve seguir uma lista fixa de procedimentos, mas sim ser personalizada com base no perfil e nos fatores de risco de cada paciente. Especialistas alertam que o excesso de testes sem um objetivo clínico definido não é sinônimo de prevenção eficaz e pode gerar resultados sem significado prático.
Embora novas tecnologias de rastreamento, como testes genéticos e o escore de cálcio, estejam cada vez mais acessíveis, o foco deve ser a precisão. Segundo o cardiologista Lucas Fizzera, o mais importante é realizar os exames certos, no momento adequado e com um objetivo claro para identificar riscos que possam ser tratados precocemente.
A indicação de exames preventivos ou de rastreamento depende de uma série de critérios individuais, como idade, sexo, genética, histórico familiar e hábitos de vida, explica a endocrinologista Sabrina França. A especialista ressalta que a escolha deve ser baseada em uma avaliação médica de qualidade e em evidências científicas.
A endocrinologista também faz um alerta sobre a dosagem de hormônios, uma prática cada vez mais comum. Segundo Sabrina, não existem exames hormonais preventivos de rotina, como a solicitação de cortisol, hormônios femininos, masculinos ou testosterona, sem que haja uma suspeita diagnóstica específica para o paciente.
Por que o excesso de exames pode ser um problema?
A ideia de que um check-up de qualidade é aquele que contém o maior número possível de testes é um equívoco. De acordo com o ginecologista Carlos Campagnaro, professor da Unesc e médico do Hospital São José, todo exame pode apontar alterações que, em muitos casos, jamais provocariam sintomas ou representariam uma ameaça real à saúde do indivíduo.
Para o médico, a eficácia da prevenção está em escolher o exame correto, na idade apropriada e no intervalo adequado, em vez de buscar apenas uma quantidade elevada de procedimentos. O objetivo é evitar que alterações irrelevantes gerem preocupações ou intervenções desnecessárias.
Quais fatores influenciam a escolha dos exames?
A idade é um critério importante, mas está longe de ser o único. A médica de família e comunidade Renata Calazans explica que o histórico familiar pode revelar predisposições genéticas, como mutações BRCA ou doenças cardíacas hereditárias, o que justifica monitoramentos mais intensivos e específicos.
Além disso, sintomas leves, como dor abdominal persistente, podem exigir exames de função hepática ou ultrassonografia. Outros fatores, como a presença de comorbidades — doenças preexistentes como hipertensão, diabetes ou condições autoimunes — também determinam a frequência e o tipo de monitoramento necessário, podendo incluir testes de função renal.
A médica aponta que um erro recorrente é a falta de contextualização clínica, em que se foca apenas no cumprimento de um conjunto de testes sem considerar a probabilidade pré-teste ou o contexto do paciente. A prática clínica deve integrar as diretrizes com uma avaliação detalhada para evitar tanto a omissão quanto o excesso de exames.
O monitoramento individualizado é reforçado por casos práticos de acompanhamento preventivo. É o caso do engenheiro de petróleo João Francisco Neves, de 42 anos, que realiza exames como eletrocardiograma, ecocardiograma e MAPA anualmente por recomendação médica, devido ao histórico de doença cardíaca em seu pai.
