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Saúde

Projeto brasileiro desenvolve curativo impresso em 3D para estimular cicatrização em diabéticos

Protótipo desenvolvido no Brasil utiliza descargas elétricas e impressão 3D para estimular a reprodução celular em feridas.

Por Redação Diário Local

Um projeto brasileiro desenvolveu um curativo impresso em 3D capaz de gerar pequenas descargas elétricas para estimular o processo de cicatrização. A tecnologia visa auxiliar pacientes que convivem com o diabetes, grupo que apresenta maior dificuldade de recuperação de feridas, especialmente nos pés.

O protótipo foi destaque na Materials Science and Technology Conference 2026, realizada nesta semana (6 a 10), nos Estados Unidos. O dispositivo utiliza um material gelatinoso que, ao sofrer pressão, emite cargas elétricas que podem favorecer a entrada de cálcio nas células, sinalizando ao organismo a necessidade de reprodução celular.

A tecnologia também utiliza a impressão 3D para controlar a porosidade do material, permitindo que suas propriedades combinadas funcionem de maneira eficiente. O projeto une a inovação tecnológica ao uso de componentes com ação cicatrizante, como o óleo de semente de uva.

Por que o diabetes dificulta a cicatrização?

A dificuldade de recuperação de feridas ocorre devido a alterações metabólicas causadas pelo descontrole da doença a longo prazo. A hiperglicemia (excesso de açúcar no sangue) somada ao estresse oxidativo pode causar inflamações nos vasos sanguíneos e acelerar a formação de placas de gordura, o que obstrui as artérias.

Segundo a Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD), esse conjunto de alterações pode reduzir a chegada de sangue e nutrientes aos tecidos, elementos fundamentais para a cicatrização. Além disso, a doença interfere na resposta imunológica, fazendo com que as células de defesa atuem de forma mais lenta.

A situação pode ser agravada pela neuropatia diabética, que compromete o funcionamento dos nervos periféricos, sendo mais comum nos pés. Nesses casos, a perda de sensibilidade pode fazer com que o paciente não perceba a presença de lesões, aumentando o risco de complicações graves.

Quais são os próximos passos da pesquisa?

O desenvolvimento do curativo segue para novas etapas de validação científica. Após demonstrar segurança e funcionalidade em estudos in vitro (em laboratório), o projeto avançará para testes com células da pele para avaliar o impacto direto da ação combinada.

Na sequência, serão conduzidos estudos pré-clínicos com animais. Somente após essas fases é que serão realizadas as análises em seres humanos, para verificar a eficácia e a segurança do dispositivo no uso prático cotidiano.

Como prevenir complicações nos pés?

Para evitar o surgimento de úlceras e processos de necrose, especialistas recomendam o controle rigoroso da glicemia, do colesterol, dos triglicérides e da pressão arterial. A avaliação dos pés com um profissional especializado deve ocorrer, no mínimo, uma vez por ano.

Outras medidas de cuidado incluem o uso de calçados adequados, a hidratação constante da pele para evitar rachaduras causadas pela neuropatia, e o cuidado ao cortar as unhas. De acordo com a SBD, a possibilidade de uma nova ferida surgir após uma úlcera anterior chega a 60% no primeiro ano.

Produzido pela redação do Diário Local com apoio de automação editorial, sob curadoria e revisão de Davy Albuquerque, editor responsável.