Novo exame de sangue aprovado pela Anvisa auxilia diagnóstico de Alzheimer no Brasil
Aprovado pela Anvisa, novo teste identifica biomarcador no sangue e pode tornar a investigação da doença mais precisa e menos invasiva
Por Redação Diário Local
Um novo exame de sangue aprovado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) chegou ao Brasil para auxiliar na investigação e no diagnóstico da doença de Alzheimer. O teste permite identificar a presença da proteína p-tau217 no sangue, considerada um biomarcador de processos biológicos característicos da patologia.
A tecnologia tem como objetivo tornar o processo diagnóstico mais preciso e menos invasivo. Atualmente, a investigação da doença pode exigir métodos mais complexos, como a análise do líquido cefalorraquidiano (líquor) por meio de punção lombar ou o exame de PET cerebral, que possui custo elevado.
O exame está sendo disponibilizado inicialmente de forma privada no Hospital Moinhos de Vento, em Porto Alegre (RS), com valor estimado em R$ 3 mil. Além disso, a Anvisa aprovou o registro do Elecsys pTau217, desenvolvido pela Roche Diagnóstica, que deve estar disponível nos principais laboratórios do país ainda este ano.
Como funciona o novo exame?
O teste não mede diretamente as placas amiloides, mas utiliza a alteração da proteína tau como um marcador para identificar o processo biológico do Alzheimer. Um resultado positivo indica alta probabilidade de haver a patologia amiloide associada à doença.
A análise da proteína p-tau217 no sangue ajuda a investigar se uma alteração cognitiva é causada pelo Alzheimer. Quando o resultado é integrado a um quadro clínico compatível, ele contribui para estabelecer o diagnóstico, embora casos inconclusivos ainda possam exigir métodos tradicionais.
Quem deve realizar o teste?
O uso do exame é indicado para pessoas que já apresentam sinais, sintomas ou queixas de declínio cognitivo, como dificuldades de memória, linguagem ou raciocínio. A solicitação deve ser feita obrigatoriamente por um médico após avaliação clínica.
Especialistas reforçam que o exame não deve ser utilizado como ferramenta de rastreamento ou check-up em pessoas assintomáticas, mesmo que tenham familiares com a doença. O teste serve para esclarecer dúvidas diagnósticas em pacientes que já manifestam sintomas.
O que esperar do futuro do diagnóstico?
A oferta do novo exame no Hospital Moinhos de Vento ocorre inicialmente de forma particular, mas existe planejamento para a integração aos planos de saúde e ao Sistema Único de Saúde (SUS) ainda em 2026, por meio de parcerias no Programa de Apoio ao Desenvolvimento Institucional do SUS.
