Ferramenta de inteligência artificial identifica sinais de diabetes tipo 2 por meio da voz
Estudo apresenta modelo que analisa gravações curtas de fala para indicar risco de diabetes e orientar busca por avaliação médica.
Por Redação Diário Local
Uma ferramenta de inteligência artificial (IA) pode ajudar a identificar sinais de diabetes tipo 2 a partir da análise da voz. A proposta é utilizar gravações curtas de fala para indicar o risco da doença e orientar quem deve procurar avaliação médica profissional.
O estudo, publicado na plataforma medRxiv em 18 de agosto, foi apresentado na reunião anual da Associação Europeia para o Estudo da Diabetes, em Milão. Pesquisas indicam que a diabetes tipo 2 pode provocar mudanças na fala, como rouquidão, voz mais áspera e dificuldade para controlar a respiração durante a fala.
A nova ferramenta utiliza esses sinais para calcular a probabilidade de o indivíduo ter a condição. O modelo foi construído com base em mais de 63 mil gravações de voz de pessoas residentes nos Estados Unidos e no Reino Unido. Durante os testes, os participantes realizavam a leitura de textos curtos em áudios de aproximadamente 20 segundos.
Como funciona a precisão do modelo?
Na primeira etapa de validação, realizada com mais de 7 mil adultos, a ferramenta demonstrou capacidade de diferenciar pessoas com e sem diagnóstico de diabetes tipo 2 em cerca de 80% dos casos.
Em um segundo grupo de teste, os resultados foram comparados com exames de sangue que medem a glicose média dos últimos meses. Nessa comparação, a identificação correta ocorreu em cerca de 75% dos casos. O sistema também conseguiu classificar os participantes em faixas de risco baixo, médio e alto.
Entre os indivíduos classificados com baixo risco, nenhum apresentou resultado compatível com diabetes ou pré-diabetes nos exames de sangue realizados.
Quais são as limitações da tecnologia?
Os pesquisadores observaram que o desempenho da ferramenta foi menor em determinados perfis, como pessoas negras e indivíduos que apresentam condições como hipertensão (pressão alta), obesidade e problemas cardíacos. Segundo os autores do estudo, essas condições podem gerar alterações na voz que se assemelham às causadas pela diabetes.
A equipe destaca que a ferramenta não substitui os exames de sangue nem a avaliação médica presencial. O objetivo é que o sistema funcione como uma etapa de triagem inicial, auxiliando no direcionamento de pacientes que necessitam de investigação mais detalhada.
Os próximos passos da pesquisa devem incluir testes do uso dessa tecnologia em ambientes clínicos e a avaliação de sua eficácia em diferentes perfis de pacientes.
