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Saúde

Estudo indica que jejum nem sempre é necessário para exames de sangue de rotina

Pesquisa analisou dados de 100 mil adultos e aponta que a maioria dos testes laboratoriais não exige jejum prolongado para precisão.

Por Redação Diário Local

Um estudo publicado na revista científica JAMA Internal Medicine indica que o jejum nem sempre é necessário para a realização de exames de sangue de rotina. A pesquisa demonstra que a maioria dos testes laboratoriais apresenta resultados consistentes, independentemente de o paciente ter ficado muitas horas sem comer.

A investigação analisou quase 10 milhões de resultados de testes coletados em 670 hospitais na Coreia do Sul, abrangendo mais de 100 mil adultos. Os pesquisadores buscaram entender como o tempo decorrido desde a última refeição impacta a precisão dos diagnósticos.

Para evitar que diferenças no estado de saúde dos pacientes interferissem nos dados, a equipe comparou os mesmos indivíduos em visitas separadas. Em cada visita, os pacientes foram divididos em três categorias de duração de jejum: menos de 8 horas, entre 8 e 12 horas, e períodos superiores a 12 horas.

Os resultados mostraram que exames como hemogramas, marcadores da função renal, eletrólitos e a maioria das enzimas hepáticas não apresentaram variações. Os valores permaneceram os mesmos, independentemente do tempo de jejum aplicado em cada grupo.

Dos 121 exames laboratoriais de rotina monitorados na pesquisa, a grande maioria não exigiu jejum para garantir a precisão. O estudo evidenciou que, para a maior parte dos testes, tanto períodos de jejum curtos quanto períodos muito longos trouxeram pouca diferença clínica.

Quais exames apresentam variações com o jejum?

As alterações significativas foram observadas apenas quando o tempo de jejum era inferior a 8 horas. Nesses casos, os pesquisadores identificaram mudanças importantes em parâmetros específicos de saúde.

Com um jejum de menos de 8 horas, os níveis de glicose apresentaram uma elevação de 10,8%. Já os triglicerídeos ficaram 20,1% mais altos em comparação aos outros grupos testados.

A lipase, uma enzima responsável pela digestão pancreática, também registrou um aumento expressivo de 36,4% quando o intervalo após a última refeição era curto. A glicemia, por sua vez, apresentou uma redução progressiva de cerca de 4,3 mg/dL para cada hora adicional de jejum.

Apesar dessas variações em itens específicos, o estudo ressalta que o comportamento desses marcadores segue um padrão previsível conforme o tempo de espera aumenta.

O jejum prolongado traz mais precisão aos resultados?

De acordo com os dados coletados, o período de jejum entre 8 e 12 horas, ou mesmo acima de 12 horas, não apresentou diferença clínica relevante. A extensão do tempo de privação de alimentos não alterou os resultados de forma significativa para a maioria dos exames.

A pesquisa aponta que estender o jejum para além de 12 horas não contribui para a precisão dos diagnósticos laboratoriais. Pelo contrário, essa prática pode gerar desconforto desnecessário aos pacientes submetidos à coleta.

Diante desse cenário, os pesquisadores sugerem a substituição da regra de jejum única para todos os pacientes. A proposta é que sejam adotados requisitos específicos para cada tipo de exame solicitado.

Como a duração do jejum só é relevante para alguns parâmetros, a padronização de um intervalo longo para todos os testes pode ser evitada. A recomendação final é que a orientação sobre o tempo de espera seja ajustada conforme a necessidade de cada teste clínico.

Procure avaliação médica.

Produzido pela redação do Diário Local com apoio de automação editorial, sob curadoria e revisão de Davy Albuquerque, editor responsável.