Longevidade no Brasil estimula novos projetos e aprendizado após os 60 anos
Aumento da expectativa de vida impulsiona busca por cursos, novas carreiras e combate ao isolamento social na terceira idade
Por Redação Diário Local
O aumento da longevidade no Brasil tem incentivado pessoas com 60 anos ou mais a iniciarem novos projetos, buscar aprendizados e mudar de carreira. Esse movimento busca não apenas o desenvolvimento de novas habilidades, mas também o combate ao isolamento social e o fortalecimento da saúde mental.
Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostram que a expectativa de vida no país saltou de 45,5 anos, em 1940, para 76,6 anos, em 2024. Esse cenário de maior tempo de vida tem refletido na busca por atividades que estimulem a mente e o convívio social.
Por que aprender novas habilidades ajuda na maturidade?
A prática de novas atividades, como o estudo de idiomas ou a aprendizagem de instrumentos musicais, ajuda a mobilizar habilidades cognitivas, emocionais e físicas. Segundo o geriatra Roni Mukamal, superintendente de Medicina Preventiva da MedSênior, o engajamento em novos interesses é fundamental para o envelhecimento ativo.
A psicóloga Naira Delboni explica que o aprendizado fortalece a autoestima e a autonomia, pois permite que o indivíduo reconheça seu próprio progresso. Do ponto de vista cognitivo, novas experiências estimulam funções como atenção, memória e raciocínio ao tirar o cérebro de padrões já conhecidos.
A Organização Mundial da Saúde (OMS) também destaca que a educação continuada e o engajamento mental podem auxiliar na prevenção de sintomas depressivos e aumentar a sensação de utilidade entre os idosos. Para a psicóloga Ana Carolina Maffazioli, o desenvolvimento de habilidades emocionais pode continuar ao longo de toda a vida.
O impacto no mercado de trabalho
A transição de carreira e o empreendedorismo também ganharam força entre os mais velhos. Um levantamento baseado em dados da Fundação Getúlio Vargas (FGV) e do IBGE aponta um crescimento de 68,9% na participação da faixa etária de 60 anos ou mais no mercado de trabalho.
Casos de transição profissional são cada vez mais comuns, como o de Airton Machado, de 63 anos, que após anos como farmacêutico, decidiu investir em uma franquia de cafés especiais em Vitória (ES). Segundo o empreendedor, a mudança exige novos conhecimentos técnicos, mas traz satisfação com os resultados do trabalho.
Apesar do crescimento, ainda há barreiras para quem deseja recomeçar. Christiano Barbosa, presidente da Associação de Parentes e Amigos de Pessoas com Alzheimer, Doenças Similares e Idosos Dependentes (APAZ), afirma que ainda existe resistência em relação aos idosos que buscam novos projetos, defendendo que o estímulo à independência deve ser priorizado.
Combate ao isolamento social
Manter uma vida ativa é um fator determinante para fortalecer vínculos e evitar o isolamento. De acordo com a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua), do IBGE, cerca de 28,7% da população idosa vive sozinha.
A psicóloga Ana Carolina Maffazioli ressalta que a falta de disposição para frequentar novos lugares e conhecer novas pessoas pode elevar o risco de isolamento social, o que prejudica a saúde de forma geral. O engajamento social é, portanto, um pilar da qualidade de vida na terceira idade.
