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Brasileiros fazem 2 milhões de buscas por medicamentos controlados sem receita

Sibutramina, Mounjaro e sertralina lideram as pesquisas por fármacos controlados. Venda sem prescrição é ilegal pela Anvisa.

Por Diário Local

Mais de 2 milhões de pesquisas relacionadas à tentativa de compra de medicamentos controlados sem receita foram realizadas por brasileiros no Google nos últimos 12 meses. O dado faz parte de um levantamento da plataforma de consultas médicas Olá Doutor, que analisou buscas contendo a expressão "sem receita" em todas as regiões do país.

A sibutramina, indicada como auxiliar no tratamento da obesidade, lidera o ranking com 102.330 buscas. Mounjaro, medicamento para emagrecimento, registrou 81.460 buscas, enquanto a sertralina, antidepressivo, aparece em terceiro lugar com 47.330 buscas.

Os medicamentos mais procurados estão concentrados em duas categorias principais: produtos voltados ao emagrecimento e fármacos utilizados no tratamento de transtornos mentais, como ansiedade, depressão e TDAH (Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade).

A venda de medicamentos controlados sem receita ou com prescrição vencida é considerada prática ilegal pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), conforme estabelecido na Portaria PRT nº 344, de 12 de maio de 1998.

O interesse pela automedicação não se restringe aos nomes comerciais dos medicamentos. Expressões genéricas como "remédio para emagrecer sem receita" e "inibidor de apetite sem receita" registraram 82.000 e 29.000 buscas, respectivamente.

Entre os medicamentos para transtornos mentais, as buscas por sertralina, ritalina (19.990) e venvanse (18.650) sem receita somaram quase 86.000 pesquisas nos últimos 12 meses, representando 22,8% de todo o volume analisado.

O cenário revela uma procura crescente por alternativas fora do ambiente clínico. A busca por esses fármacos sem orientação profissional expõe os usuários a riscos como efeitos colaterais graves, interações medicamentosas perigosas e agravamento das condições que motivam o tratamento.

A tendência levanta preocupações entre especialistas sobre o uso inadequado de medicamentos controlados e a automedicação no país. O acesso sem prescrição a essas substâncias pode mascarar problemas de saúde mais sérios que exigem acompanhamento médico específico.

Especialistas alertam que medicamentos para emagrecimento como Mounjaro e sibutramina devem ser utilizados apenas sob supervisão médica, pois requerem ajustes de dosagem conforme a resposta individual do paciente. A ritalina e venvanse, estimulantes utilizados no TDAH, também exigem monitoramento contínuo de pressão arterial e frequência cardíaca.

A automedicação com antidepressivos como sertralina pode resultar em sintomas de descontinuação graves, interações perigosas com outros medicamentos e mascarar transtornos que necessitam de diagnóstico diferencial adequado. O acompanhamento profissional garante que o medicamento seja apropriado para cada caso.

O levantamento da Olá Doutor demonstra que a busca por medicamentos controlados sem receita é uma prática disseminada entre os brasileiros, atingindo regiões do país de forma homogênea. O volume de pesquisas sugere que essa é uma demanda real e crescente no mercado digital.

Profissionais de saúde e órgãos reguladores alertam para a importância da educação em saúde e do acesso facilitado a consultas médicas como forma de reduzir a automedicação. Programas que ampliem a disponibilidade de atendimento clínico podem ajudar a diminuir essa tendência.

A Anvisa mantém fiscalização sobre a venda ilegal de medicamentos controlados na internet e em farmácias físicas. Denúncias sobre venda sem prescrição podem ser feitas diretamente ao órgão, que investiga e aplica as penalidades previstas em lei.

Para quem necessita de medicamentos controlados, o caminho apropriado continua sendo a consulta com médico ou psicólogo, que avaliará a necessidade, prescreverá o fármaco adequado e realizará o acompanhamento necessário para garantir a segurança e eficácia do tratamento.

Revisado por Davy Albuquerque, editor responsável.