Paciente de CAPS reconstrói laços familiares e rotina após anos de dependência química
Frequentador da unidade em Campo Grande há 12 anos, homem utiliza crochê e acompanhamento médico para retomar convivência com a filha
Por Redação Diário Local
Um homem de 61 anos, que frequenta o Centro de Atenção Psicossocial Álcool e Outras Drogas (CAPS AD) de Campo Grande há 12 anos, está conseguindo reconstruir sua rotina e seus vínculos familiares após um histórico de dependência química e envolvimento com o tráfico.
Frequentador da unidade desde 2014, ele utiliza o apoio do centro de atenção para manter a estabilidade emocional e o convívio com a filha. O atendimento realizado no local inclui acompanhamento psiquiátrico, medicação e suporte psicológico, servindo como uma rede de apoio para o paciente, que mora sozinho e é aposentado.
O processo de recuperação é acompanhado por profissionais da Rede de Atenção Psicossocial, que aplicam estratégias de redução de danos. Segundo a equipe técnica, o foco pode ser a diminuição do consumo ou a substituição de substâncias mais nocivas, priorizando a retomada da convivência familiar e da rotina social.
Como funciona o tratamento no CAPS?
O atendimento nas unidades de CAPS AD ocorre por meio do modelo de "portas abertas". Isso significa que não é necessário encaminhamento médico para receber o primeiro acolhimento. Qualquer pessoa que enfrente problemas relacionados ao uso de álcool ou outras drogas pode procurar o serviço diretamente.
O cuidado é personalizado de acordo com a necessidade de cada usuário. O suporte pode envolver desde consultas e acompanhamento psicológico e social até a participação em grupos e, em situações de maior necessidade, a permanência em leitos para atenção intensiva.
A estratégia de redução de danos é um dos pilares do serviço. Para os profissionais, o sucesso do tratamento não deve ser medido apenas pela abstinência total, mas sim pela capacidade do paciente de estabelecer metas individuais, como recuperar a moradia e os laços com pessoas queridas.
O papel das atividades na rotina
Além do suporte clínico, atividades manuais têm auxiliado na organização do cotidiano. O uso do crochê, técnica aprendida durante o período de reclusão, tornou-se uma ferramenta de ocupação e também de geração de renda complementar para o paciente, que produz peças para vender.
Em Campo Grande, o atendimento para esse tipo de demanda está dividido em duas unidades principais. O CAPS AD IV Fátima M. Medeiros atende as regiões Centro, Bandeira, Prosa e Segredo, enquanto o CAPS AD III Guanandi atende os bairros Anhanduizinho, Imbirussu e Lagoa.
