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Saúde

Prática de 'depósito' sexual com múltiplos parceiros apresenta riscos à saúde

Especialistas alertam para o aumento de infecções e lesões na mucosa retal durante a prática que envolve múltiplos parceiros.

Por Redação Diário Local

A prática sexual conhecida como “depósito”, que consiste em permitir que mais de um parceiro ejacule no ânus durante a mesma relação, exige cautela devido aos riscos de lesões e à maior exposição a infecções. Especialistas explicam que a atividade envolve dinâmicas de poder e pede cuidados específicos com a segurança física e emocional dos envolvidos.

Para ser caracterizado como um fetiche, o ato não deve ser visto apenas como uma consequência de um sexo grupal, mas sim ter o acúmulo de sêmen como o gatilho indispensável para a excitação. Segundo a sexóloga Camila Voluptas, a dinâmica envolve componentes de submissão consensual, entrega e uma espécie de "degradação" erótica que funciona como alívio de controles sociais.

Para a realização segura da prática, a sexóloga destaca que é necessária maturidade e um planejamento rigoroso. O consentimento deve ser explícito e contínuo, com a definição prévia de limites e o uso de palavras de segurança (safewords) para controlar a intensidade da interação.

Quais são os riscos para a saúde?

Embora não existam estudos que avaliem especificamente o impacto do acúmulo de ejaculação, a médica Marcelle Domingues alerta que os riscos principais estão ligados a Infecções Sexualmente Transmissíveis (ISTs) e a lesões por penetração intensa. A mucosa do reto é uma região fina e muito vascularizada, o que facilita o surgimento de microlesões pelo atrito, especialmente se houver falta de lubrificação.

Essas microfissuras no tecido retal podem servir como porta de entrada para agentes infecciosos na corrente sanguínea. Além disso, a presença de cada parceiro adicional aumenta a exposição a riscos, podendo causar irritação, fissuras, inflamação e sangramento no reto.

Outro ponto de atenção é a higiene entre diferentes tipos de penetração. Se houver penetração vaginal após a anal sem a troca do preservativo ou a higienização adequada, bactérias intestinais podem migrar para a vagina e a uretra. Esse processo favorece o desenvolvimento de infecções urinárias e vaginose bacteriana.

Como garantir a segurança?

A prevenção passa obrigatoriamente pela testagem rigorosa e atualizada de ISTs entre todos os participantes, principalmente em práticas que dispensam o uso de preservativo. O uso de métodos preventivos, como a Profilaxia Pré-Exposição (PrEP), também é recomendado pelos especialistas para mitigar os riscos de contágio.

No campo psicológico, a sexóloga Camila Voluptas recomenda o cuidado com o "aftercare", que é o acolhimento físico e emocional logo após o ato. Essa etapa é essencial para processar a adrenalina e a intensidade da experiência, evitando o que ela chama de "ressacas emocionais".

Por fim, é importante monitorar sinais de alerta no corpo. Em casos de dor anal forte e persistente, presença de secreções, feridas ou sangramentos volumosos, a recomendação médica é buscar avaliação profissional imediata.

Produzido pela redação do Diário Local com apoio de automação editorial, sob curadoria e revisão de Davy Albuquerque, editor responsável.