Empresas brasileiras têm dificuldade em integrar inteligência artificial aos negócios, diz estudo
Levantamento da TOTVS e do MIT mostra que, embora 80% das organizações usem a tecnologia, a maioria ainda atua em fase de experimentação.
Por Redação Diário Local
A maioria das empresas brasileiras ainda não consegue integrar a inteligência artificial (IA) de forma efetiva ao seu modelo de negócios. Segundo um estudo realizado pela TOTVS em parceria com o Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), 93% das organizações no país apresentam dificuldades em incorporar a tecnologia em suas operações centrais.
O levantamento aponta um cenário de paradoxo tecnológico no mercado nacional. Embora 80% das empresas já utilizem a inteligência artificial em algum grau, o uso é predominantemente experimental e não estruturado para gerar valor de escala.
Outro dado relevante do estudo mostra que 88% dos negócios sequer realizam a contabilização do retorno financeiro obtido por meio do uso da IA. Isso indica que a tecnologia ainda é aplicada sem uma métrica clara de produtividade ou lucratividade direta para as companhias.
Por que a integração da IA é um desafio?
O obstáculo central identificado pelos pesquisadores é o desafio de retirar grandes projetos do papel e transformá-los em ferramentas confiáveis e sistêmicas. De acordo com George Westerman, professor sênior do MIT, a tecnologia em si não produz valor, mas sim a forma como ela altera o modelo de fazer negócios.
Atualmente, o uso da ferramenta no Brasil é voltado para a produtividade individual. Ramon Martin, diretor de IA da TOTVS, explica que os usuários utilizam a tecnologia para tarefas simples, como resumir e-mails ou verificar passagens aéreas, mas ainda não avançaram para a automação de processos de negócio.
O fundador da TOTVS, Laércio Consentino, afirma que muitas organizações estão investindo na tecnologia sem uma estratégia definida, tratando o uso da IA apenas como um teste. Para ele, o setor precisa encarar a ferramenta como um pilar estratégico para crescimento e para a competição no mercado.
O que muda para o futuro das empresas?
Para que haja uma mudança real, o próximo passo deve ser o avanço para uma produtividade sistêmica, que conecte a tecnologia ao cotidiano das empresas de forma ampla. O objetivo é passar da evolução de tarefas isoladas para a automação estruturada de fluxos de trabalho.
O estudo detalha que essa transição exige um planejamento de longo prazo. A proposta é que a transformação digital brasileira passe por um plano estruturado para os próximos 30 anos, denominado "Brasil Digital 30+".
