IA ajuda a decifrar carta militar de 1809 da era Napoleão Bonaparte
Documento de 1809 continha instruções de tropas francesas e foi reconstruído em seis horas com uso de inteligência artificial.
Por Redação Diário Local
Uma inteligência artificial (IA) decifrou, após mais de dois séculos, uma carta militar escrita durante as campanhas de Napoleão Bonaparte em 1809. O documento continha instruções estratégicas sobre a movimentação de tropas francesas e aliadas antes de um confronto com o Império Austríaco.
A mensagem, destinada ao marechal Auguste de Marmont, detalhava a posição de exércitos sob comando francês e de aliados da Baviera, Polônia e Saxônia. A reconstrução feita pela tecnologia também permitiu corrigir a data do documento, que foi escrita em março de 1809.
O engenheiro de inteligência artificial Carter Church liderou o projeto utilizando o modelo GPT-6 Astra, da OpenAI. O trabalho consistiu em analisar uma imagem de baixa qualidade, publicada originalmente em 1969, que registrava o manuscrito indecifrado há décadas.
A carta utilizava uma cifra homofônica, sistema de codificação em que uma mesma letra pode ser representada por diferentes sinais, o que dificulta a leitura humana. O documento apresentava cerca de 1,3 mil sinais, entre números, letras e símbolos desenhados à mão.
Como a tecnologia decifrou o código?
Para realizar a leitura, a IA precisou primeiro transformar a imagem em dados organizados. O processo envolveu a identificação de símbolos repetidos, o alinhamento das linhas e a criação de uma versão transcrita do documento manuscrito.
A maior parte do conteúdo foi reconstruída por meio de inferências baseadas em padrões da língua francesa e na repetição dos sinais. O sistema testou diversas combinações de hipóteses até encontrar sequências que formassem frases coerentes, identificando inclusive sinais que representavam palavras inteiras, como artigos e pronomes.
O resultado final foi submetido à revisão de um criptógrafo independente, que considerou o caso resolvido ao consultar um banco de dados de cifras históricas. A reconstrução confirmou que as orientações visavam proteger as informações contra interceptações inimigas.
O conteúdo e o impacto histórico
As instruções contidas na carta orientavam o marechal responsável por cerca de 13 mil soldados na região da Dalmácia. O texto detalhava deslocamentos austríacos e preparativos para o conflito iminente na época.
O processo de reconstrução durou cerca de seis horas e foi concluído a partir de uma única imagem. Segundo o engenheiro responsável, o método provou que a inteligência artificial pode centralizar tarefas que antes exigiam múltiplos especialistas, como a leitura de manuscritos, a análise de códigos e a interpretação histórica.
