Rede estadual de Mato Grosso do Sul leva inteligência artificial para as escolas
Projeto em Mato Grosso do Sul utiliza a ferramenta Gemini como apoio pedagógico, mas gera debates sobre a autonomia dos estudantes.
Por Redação Diário Local
Alunos da rede estadual de Mato Grosso do Sul passaram a utilizar ferramentas de inteligência artificial (IA) como apoio pedagógico a partir do segundo semestre de 2026. A iniciativa, que inclui a integração da ferramenta Gemini no ambiente escolar, busca utilizar a tecnologia para auxiliar o aprendizado sem substituir a autonomia dos estudantes.
O projeto estadual foca na formação de profissionais da educação e na utilização da tecnologia de forma orientada. O objetivo é que a inteligência artificial funcione como um suporte para organizar ideias, explicar questões complexas ou apresentar diferentes exemplos sobre um mesmo assunto, atuando como um assistente de pesquisa.
A implementação da tecnologia, porém, traz novos desafios para o corpo docente, especialmente no que diz respeito à avaliação de trabalhos. Como as ferramentas generativas produzem textos com estrutura organizada e linguagem correta, pode ser difícil para os professores identificarem se houve participação efetiva do aluno ou se o conteúdo foi integralmente gerado pela máquina.
Essa dificuldade de distinção reflete uma mudança na rotina escolar, onde o professor precisa de etapas adicionais de análise para verificar a autoria. Uma das estratégias mencionadas para lidar com o problema é a utilização de detectores de IA, como o ZeroGPT, que fornecem uma estimativa sobre a probabilidade de um texto ter sido produzido por sistemas generativos.
Apesar do uso desses softwares, a recomendação é que a análise tecnológica não seja tratada como prova definitiva. O uso de detectores deve servir apenas como um sinal para que o docente realize uma investigação mais profunda, comparando o material entregue com o desempenho e a forma de desenvolver ideias do estudante em outras situações.
Qual a estratégia de Mato Grosso do Sul frente à tecnologia?
A Secretaria de Educação de Mato Grosso do Sul adotou o caminho do uso orientado em vez da proibição total do acesso. A proposta prevê que a inteligência artificial esteja diretamente ligada ao planejamento pedagógico, funcionando como um complemento ao ensino e não como um substituto do esforço intelectual.
A ideia central é ensinar os estudantes a compreenderem o que estão produzindo, incentivando a capacidade de interpretar e questionar informações. O foco do estado é garantir que a tecnologia acelere pesquisas e organize dados, mas que a construção do conhecimento e a capacidade crítica continuem dependendo da participação humana.
Há resistência ao uso da IA nas escolas?
A discussão sobre o uso responsável da tecnologia é acompanhada por diferentes percepções de risco. De acordo com uma pesquisa realizada pelo Campo Grande News, 63% dos leitores que participaram da enquete manifestaram ser contrários à utilização de inteligência artificial pelos alunos.
O debate destaca que o problema não reside na ferramenta em si, mas na forma como ela é utilizada. Enquanto o suporte para revisão gramatical ou organização de rotas de pesquisa é visto como algo semelhante a outras ferramentas digitais já consolidadas, a substituição do pensamento autoral pelo automatismo é o ponto de maior preocupação para o sistema de ensino.
