IA pode repetir erro da Revolução Industrial e ampliar desigualdade econômica
Avanço tecnológico pode criar desequilíbrio entre a oferta de produtos e a capacidade de consumo das pessoas no mercado global.
Por Redação Diário Local
A inteligência artificial (IA) corre o risco de repetir um padrão histórico da Revolução Industrial ao ampliar a desigualdade de renda e criar um desequilíbrio entre a oferta de produtos e a demanda global. O avanço tecnológico pode gerar uma divergência entre os retornos obtidos pelo capital e os recebidos pelos trabalhadores.
Embora a IA tenha potencial para aumentar a eficiência econômica, há o receio de que investimentos massivos atuais possam inflar uma bolha antes que os ganhos reais de produtividade sejam mensuráveis. O desafio é transformar a tecnologia em crescimento econômico efetivo, evitando que a automação apenas marginalize a força de trabalho humana.
O que é a 'Pausa de Engels'?
O risco de uma crise distributiva remete ao período após a Primeira Revolução Industrial, conhecido como 'Pausa de Engels'. Naquele momento, apesar do crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) per capita e da produção industrial, os salários reais da classe trabalhadora permaneceram estagnados por quase oito décadas.
A riqueza gerada pelas novas máquinas não foi distribuída aos trabalhadores de forma imediata, exigindo um longo processo de ajuste social e econômico. Cenários semelhantes podem ocorrer se a IA promover saltos de produtividade sem o correspondente fortalecimento do poder de compra dos consumidores.
Quais os riscos para o mercado global?
Um desequilíbrio crônico entre uma oferta que se expande rapidamente e uma demanda estruturalmente fraca pode desestabilizar as economias. Se o capital absorver a maioria dos ganhos da automação, o consumo global pode enfraquecer, desafiando premissas da economia clássica.
Na China, formuladores de políticas já enfrentam uma dinâmica de oferta forte e demanda fraca. A implementação rápida da IA em escala global poderia acentuar esse fenômeno em outras regiões, exigindo mudanças nos modelos de gestão econômica tradicionais.
Como evitar o desequilíbrio?
Para evitar uma nova estagnação salarial, especialistas defendem que o setor privado adote uma inovação que priorize o emprego. O objetivo deve ser a capacitação dos trabalhadores por meio da tecnologia, em vez da substituição em massa de funções humanas.
No campo das políticas públicas, as ferramentas macroeconômicas atuais, voltadas para ciclos de curto prazo, podem ser insuficientes se a IA causar um déficit permanente na demanda. Estratégias inovadoras e proativas serão necessárias para garantir que os benefícios da revolução tecnológica sejam compartilhados de forma ampla pela sociedade.
