Relógios atômicos podem transformar mapeamento de petróleo e minérios em alto-mar
Instrumentos de alta precisão permitem mapear reservatórios submarinos onde o sinal de GPS não alcança, segundo especialistas.
Por Redação Diário Local
Relógios atômicos de alta precisão podem transformar o mapeamento de reservatórios de óleo e gás e a detecção de minerais no fundo do mar. A tecnologia, que avança em universidades e institutos nos Estados Unidos, permite realizar varreduras em locais onde o sinal de GPS não consegue penetrar.
Os instrumentos utilizam a vibração de elétrons dentro dos átomos para marcar o tempo em escalas de nanossegundos. Essa precisão é fundamental para a indústria de exploração, especialmente em operações de alto-mar que dependem de sensores sincronizados para criar mapas tridimensionais das reservas.
Como funciona o mapeamento submarino?
Para mapear o subsolo marinho, empresas precisam depositar centenas de sensores acústicos no assoalho oceânico. Para que o mapa seja preciso, esses equipamentos, conhecidos como microfones acústicos, precisam estar perfeitamente sincronizados entre si e com o sinal de GPS do navio de exploração.
A integração de cada sensor a um relógio atômico garante que os aparelhos permaneçam alinhados ao longo do tempo. Uma versão compacta dessa tecnologia, chamada de CSAC (Relógios Atômicos em Escala de Chip), já é aplicada na exploração de petróleo no Mar do Norte.
No Brasil, a Shell utiliza esse tipo de dispositivo por meio de terceiros para atividades de navegação marítima, posicionamento de embarcações e construção submarina. A Petrobras informou que ainda não faz uso dessa tecnologia em suas pesquisas, embora o equipamento possa ser implementado em projetos como os da Margem Equatorial.
O dispositivo compacto tem dimensões reduzidas, com o componente físico do tamanho de um grão de arroz e o conjunto completo comparável ao tamanho de um pedaço de sushi. Segundo especialistas do NIST (National Institute of Standards and Technology), essa portabilidade é o que viabiliza o uso industrial.
Por que a tecnologia ajuda a identificar minerais?
Além do setor de energia, cientistas projetam que a tecnologia será usada para identificar depósitos minerais. Como a passagem do tempo é influenciada pela intensidade do campo gravitacional, um relógio atômico sensível pode detectar variações de massa no subsolo, como cavidades ou depósitos de metais.
O objetivo é medir anomalias gravitacionais que indiquem a presença de minérios ou petróleo. De acordo com pesquisadores, o relógio funciona como uma ferramenta que identifica onde a gravidade é mais forte ou mais fraca, indicando o local ideal para a escavação.
O desafio atual para consolidar o uso comercial é transformar sistemas de laboratório, que ocupam salas inteiras, em produtos portáteis e adaptáveis para a estrada. Empresas nos Estados Unidos, na China e na Alemanha já trabalham para desenvolver esses equipamentos de escala menor.
