Fabricantes de robôs buscam novas tecnologias para garantir segurança de humanoides ao redor de pessoas
Desenvolvimento de sistemas de inteligência artificial e novos mecanismos de proteção visa evitar acidentes com robôs bípede de até 90 quilos
Por Diário Local
Fabricantes de robôs humanoides buscam novas soluções tecnológicas para garantir que as máquinas possam operar com segurança ao lado de seres humanos. O desafio surge com o aumento do porte dos equipamentos, que já alcançam cerca de 90 quilos, e com o uso de inteligência artificial (IA) para realizar tarefas baseadas em probabilidades, o que exige camadas extras de proteção para evitar acidentes em fábricas, armazéns ou residências.
Apesar de incidentes que viralizaram recentemente — como um robô que dançou descontroladamente em um restaurante e outro que chutou uma criança em uma apresentação na China — os fabricantes afirmam não ter conhecimento de casos em que alguém tenha sido gravemente ferido ou morto por essas máquinas. Contudo, especialistas alertam para o risco de esmagamento caso um robô bípede perca o equilíbrio ou a energia.
"Se isso acontecer com um humanoide, ele pode cair e esmagar alguém", afirma Michele Silva, da empresa de engenharia de segurança funcional Reynolds & Moore. A preocupação é central para o setor, que atrai bilhões de dólares em investimentos. A Agility, por exemplo, empresa sediada no Oregon (EUA), anunciou planos para abrir capital com uma avaliação de US$ 2,5 bilhões.
Como as empresas estão criando proteção?
Diferente dos robôs industriais tradicionais, que seguem regras fixas, os humanoides utilizam IA para operar com base em probabilidades estatísticas. Para mitigar riscos, empresas estão desenvolvendo mecanismos que vão desde botões de parada de emergência até sistemas integrados aos microchips. A Nvidia anunciou um novo sistema baseado em seus chips Blackwell que interpreta dados de sensores para interromper o funcionamento do robô quando as condições não são seguras.
Outras soluções envolvem o processamento de informações de múltiplos ambientes. A Fort Robotics desenvolve softwares que permitem aos robôs reconhecer pessoas e identificar sua postura para tomar decisões de segurança mais sofisticadas. Paralelamente, a International Organization for Standardization (ISO) estuda o tema e espera publicar um padrão internacional de segurança até meados de 2028.
O design físico das máquinas também é utilizado como medida de segurança. A Neura Robotics desenvolveu o modelo 4NE1, de 80 quilos, que foi projetado para colapsar sobre si mesmo, como uma implosão, caso detecte uma falha crítica em uma articulação. Já a Dexmate, da Califórnia, optou por eliminar as pernas, utilizando bases sobre rodas para manter o centro de gravidade baixo e garantir estabilidade total.
Segurança em ambientes de risco
Há também o argumento de que o uso de humanoides pode aumentar a segurança ao substituir pessoas em locais perigosos. A Noble Machines desenvolve máquinas para atuar em canteiros de obras, minas e áreas com produtos químicos tóxicos, visando retirar humanos de ambientes de alto risco. O objetivo é que a automação assuma as tarefas mais letais da indústria.
O potencial de crescimento do setor é massivo. Pesquisadores do Morgan Stanley projetam que haverá 1 bilhão de humanoides em operação no mundo até 2050, formando um mercado avaliado em US$ 7,5 trilhões. Enquanto o mercado avança, empresas como a Cobot defendem que os riscos devem ser analisados com perspectiva, focando em máquinas que não precisem transferir grandes quantidades de energia para o ambiente de trabalho.
