Vale dos Robôs na China consolida liderança com avanço de robôs humanoides
Localizado em Shenzhen, o polo concentra mais de 200 empresas e universidades, impulsionando a produção de humanoides e o crescimento do setor
Por Diário Local
O Vale dos Robôs, localizado na cidade de Shenzhen, no distrito de Nanshan, consolidou-se como um dos principais centros globais de inovação tecnológica. O polo, que se estende por um trecho de 10 km entre as montanhas Tanglang e Yangtai, abriga mais de 200 empresas do setor e quase uma dúzia de universidades.
A região prospera devido a uma integração profunda entre a indústria e o meio acadêmico, apoiada por uma cadeia de suprimentos altamente eficiente. Em Shenzhen, o ciclo de desenvolvimento é acelerado, permitindo que componentes como placas de circuito tenham seus ciclos de iteração reduzidos para apenas uma ou duas semanas.
O crescimento do setor de robótica na China apresentou números históricos em 2025. A produção de robôs humanoides registrou uma alta de 83,1% em termos anuais, alcançando a marca de 343.400 unidades fabricadas.
No mesmo período, o valor total da produção industrial de robótica no país ultrapassou 240 bilhões de yuans. Esse resultado representa um incremento superior a 20% em comparação ao ano anterior, refletindo a expansão do mercado.
A China já detém o domínio da produção mundial de humanoides, abrigando mais de 140 fabricantes desse tipo de máquina. Em 2025, as remessas de robôs humanoides vindas do país atingiram 14.400 unidades, o que corresponde a 84,7% do mercado global.
Avanços tecnológicos e mercado de capitais
O ano de 2026 tem sido marcado por sucessos tanto na performance tecnológica quanto no mercado de capitais. Em abril, o robô humanoide Flash, da Shenzhen Honor Smart Technology Development Co., Ltd., destacou-se em uma competição de resistência.
O modelo dominou as seis primeiras colocações na meia maratona Beijing E-Town 2026. Durante a prova, a máquina quebrou o recorde mundial humano, demonstrando avanços em núcleos de potência, resfriamento líquido e controle de movimento.
No setor financeiro, a Leju Robotics recebeu em maio o aceite da Bolsa de Valores de Shenzhen para seu pedido de oferta pública inicial (IPO). A empresa planeja arrecadar 2,6 bilhões de yuans (aproximadamente US$ 381 milhões) com a operação.
A capacidade produtiva da região também deu um salto com a inauguração da base da EngineAI Robotics em Honghualing, em maio. A nova unidade possui uma linha de montagem capaz de produzir um robô humanoide T800 a cada 15 minutos.
Outro destaque é a empresa DOBOT, pioneira em robôs colaborativos, que viu suas remessas superarem 100 mil unidades em 2025. Com isso, a companhia mantém a liderança nas exportações mundiais do segmento pelo oitavo ano consecutivo.
Integração entre pesquisa e indústria
A rapidez na comercialização de novos produtos é impulsionada pelo eixo entre pesquisa e produção. Fan Jianping, presidente da Universidade de Tecnologia Avançada de Shenzhen, afirma que a proximidade física permite um ritmo de inovação constante.
Segundo o executivo, um artigo de pesquisa publicado por um professor durante a manhã pode ser validado em uma linha de produção vizinha ainda à tarde. Esse fluxo permite testes e iterações em tempo real.
A vantagem competitiva da região é reforçada pela localização na Grande Área da Baía Guangdong-Hong Kong-Macau (GBA). O CEO da NVIDIA, Jensen Huang, aponta que a região é única por se destacar simultaneamente em mecatrônica e inteligência artificial (IA).
A infraestrutura de Shenzhen é descrita por fabricantes como a mais completa da China, criando um ecossistema de ciclo fechado. Isso garante que as inovações em IA e robótica sejam integradas rapidamente aos produtos finais.
O desenvolvimento do Vale dos Robôs acompanha o 15º Plano Quinquenal da China (2026-2030). A estratégia nacional designou a inteligência artificial incorporada como um novo motor para o crescimento econômico do país.
