Abiec critica exigências da União Europeia para retomar exportação de carne brasileira
Presidente da associação, Roberto Perosa, classifica como inaceitável exigência de rastreabilidade de antimicrobianos.
Por Redação Diário Local
A Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carne (Abiec) classificou como "inaceitável" a previsão de retomada dos embarques de carne bovina para a União Europeia. A crítica da entidade ocorre após a Comissão de Agricultura do Parlamento Europeu apresentar exigências de rastreabilidade integral do ciclo de vida dos animais.
O presidente da Abiec, Roberto Perosa, apontou que o bloco europeu estabeleceu um prazo de dois anos para a implementação de novas regras de controle de antimicrobianos. O setor enfrenta restrições comerciais desde o dia 3 de setembro, quando os embarques brasileiros foram suspensos devido a falhas no controle desses medicamentos.
A associação alega que o Brasil recebe um tratamento desigual em comparação a outros parceiros comerciais da União Europeia. Segundo Perosa, países que apresentam condições sanitárias semelhantes ao Brasil não estão sendo submetidos a medidas tão rigorosas.
A entidade ressalta que o setor produtivo brasileiro possui uma vantagem competitiva relevante na produção de carne em relação a outras regiões do mundo. Assim, as novas exigências de rastreamento são vistas como um entrave à competitividade nacional.
Como resposta às exigências, a Abiec sugeriu que o Brasil avalie a aplicação de medidas de retaliação caso as novas regras sejam mantidas. A proposta envolve a suspensão da importação de produtos vindos da Europa.
Entre os possíveis alvos de uma eventual retaliação comercial, o presidente da Abiec citou itens como queijos e azeites franceses. A medida visa equilibrar as relações comerciais diante das restrições impostas pelo mercado europeu.
Apesar do impasse na carne bovina, outros setores da exportação brasileira registraram avanços. A União Europeia já aprovou os relatórios de controle para as cadeias de mel e de carne de frango produzidas no Brasil.
Mesmo com a aprovação técnica, os produtores desses segmentos ainda aguardam a finalização de trâmites burocráticos por parte das autoridades europeias. Somente após a conclusão desses procedimentos é que as exportações de frango e mel poderão ser formalmente retomadas.
