Éguas da raça Mangalarga impulsionam produção de mulas e movimentam mercado milionário no Brasil
Mais de 50% das mulas produzidas no país são filhas de éguas Mangalarga, elevando o valor de animais para até R$ 200 mil
Por Diário Local
A produção de mulas de alta qualidade no Brasil tem sido impulsionada pelo uso de éguas da raça Mangalarga, que hoje representam a origem de mais de 50% dos animais produzidos no país. O crescimento do segmento transforma a equinocultura nacional ao agregar valor às matrizes e abrir novas oportunidades de negócio para criadores.
A importância da raça para a produção de muares foi destaque durante a 48ª Exposição Nacional do Cavalo Mangalarga. Especialistas apontam que o uso dessas éguas resulta em animais com características desejadas pelo mercado, como leveza, docilidade e marcha, sendo amplamente procurados para atividades de lazer, sela, cavalgadas e provas esportivas.
O mercado de mulas de alto padrão apresenta valores expressivos. Uma mula de qualidade dificilmente é comercializada por menos de R$ 40 mil, podendo ultrapassar a marca de R$ 150 mil e chegar a R$ 200 mil para exemplares com genética e treinamento específicos. Já os burros oriundos de matrizes Mangalarga podem ser vendidos entre R$ 10 mil e R$ 15 mil, com animais diferenciados superando os R$ 40 mil.
Por que a raça Mangalarga é valorizada na produção?
A preferência pelo uso das matrizes Mangalarga deve-se ao impacto na funcionalidade e no temperamento do animal final. Segundo especialistas, aproximadamente 80% das mulas que alcançam os principais resultados em provas de marcha são filhas de éguas dessa raça.
As características técnicas que atraem os compradores incluem a frente leve, o pescoço refinado, a cabeça seca e a facilidade de adaptação. Esse perfil torna o animal ideal para o crescente nicho de turismo rural e esportes de sela.
Como funciona a produção em larga escala?
Alguns criadores já utilizam a produção de muares como um dos pilares de sua receita. Thiago Luiz, do Haras MH, em Vargem Grande do Sul (SP), relatou que cerca de 80% de sua produção utiliza éguas Mangalarga como matrizes. O produtor produz entre 150 e 180 animais por ano, voltados quase totalmente para a venda direta.
Para garantir a qualidade genética, são utilizados reprodutores como os jumentos Tesouro do Sandrini, Diplomata do Barro Preto e Morro Vermelho. O resultado é um mercado aquecido, onde a demanda por animais prontos para o uso costuma ser absorvida rapidamente.
O histórico de valorização do setor
A inserção definitiva dos muares nas exposições oficiais da raça é um processo recente. Silvio Parisi, do CT Rancho Bigorna, relembra que houve resistência por muitos anos, mas que em 2021 os muares realizaram sua primeira apresentação oficial na Exposição Nacional.
A trajetória de aceitação contou com o apoio de figuras como a jurada de provas de marcha Dalva Marques, apontada como uma das incentivadoras do projeto. Atualmente, a participação dos muares é uma das atrações mais aguardadas nos eventos, consolidando a produção como uma estratégia econômica de alto retorno para os selecionadores de raça.
