Júri absolve cabeleireira acusada de matar marido policial em Osasco
Tribunal do Júri concluiu que policial militar teria cometido suicídio em 2016, após votação de 4 votos a 3 pela defesa de Ranielly Castro.
Por Redação Diário Local
O Tribunal do Júri absolveu, nesta quinta-feira (20), a cabeleireira Ranielly Antunes Castro, acusada de matar o marido, o policial militar Alan Damasceno Castro, no município de Osasco, na Grande São Paulo. Por 4 votos a 3, os jurados decidiram pela absolvição e concluíram que o policial teria cometido suicídio.
Ranielly era acusada de homicídio qualificado por motivo torpe. Ela respondia ao processo em liberdade. A decisão ocorre quase dez anos após o crime, ocorrido na noite de 25 de outubro de 2016.
O que dizem os laudos periciais
O caso foi marcado por divergências técnicas sobre a autoria dos disparos. De acordo com o exame necroscópico, Alan morreu de hemorragia interna causada por três disparos de arma de fogo: um na região cervical e dois no tórax.
O laudo do Instituto Médico Legal (IML) foi considerado inconclusivo, apontando que tanto a possibilidade de homicídio quanto a de suicídio eram plausíveis. Na época, o Ministério Público de São Paulo (MPSP) afirmou que a cabeleireira teria atirado contra o marido após uma discussão sobre fidelidade.
A defesa, no entanto, apresentou versão de que o policial teria atirado contra si mesmo após uma briga. Segundo Ranielly, o marido teria feito ameaças e, em seguida, efetuado os disparos. A perícia observou que tanto a vítima quanto a ré apresentavam resíduos de pólvora nas mãos.
Histórico do processo
Em 2016, o médico perito Sérgio de Paula Moura declarou acreditar que o policial teria efetuado o primeiro disparo contra a própria cabeça e, ao não morrer imediatamente, teria dado os outros dois tiros. Contudo, o perito acrescentou que a posição dos ferimentos tornava improvável que ele tivesse realizado os dois últimos disparos sem auxílio.
Em laudo complementar realizado em 2017, o médico legista Hermógenes Biondi Santos considerou pouco provável que a vítima tivesse conseguido se levantar após o primeiro tiro para abrir o colete e disparar contra o próprio tórax.
Diante da dúvida técnica, a promotoria chegou a pedir a impronúncia do caso, mas a magistrada Élia Kinosita determinou que a ré fosse julgada pelo Tribunal do Júri. O julgamento, que deveria ter ocorrido em abril, foi reagendado para esta quinta-feira (20) devido a questões de saúde do advogado de defesa.
