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Segurança

Biomédico é preso em operação contra venda de anabolizantes clandestinos no Distrito Federal

Operação Narciso da Polícia Civil mira esquema de laboratórios clandestinos que utilizava insumos sem assepsia e óleo de cozinha.

Por Redação Diário Local

O biomédico Eduardo Vieira Euzébio foi preso durante a deflagração da Operação Narciso, conduzida pela Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) nesta quarta-feira (12). A investigação aponta que ele atuava como intermediador de laboratórios clandestinos para a venda de anabolizantes e medicamentos ilegais.

De acordo com a Polícia Civil, Eduardo utilizava sua visibilidade nas redes sociais e sua clínica na Asa Norte para realizar a propaganda de esteroides e prestar serviços de aplicação das substâncias, mesmo ciente da procedência clandestina e da falta de controle sanitário dos produtos.

Como funcionava o esquema de produção?

As investigações conduzidas pela Divisão de Defesa do Consumidor da PCDF revelaram que o núcleo do crime utilizava uma técnica chamada de "cozimento". O termo refere-se à fabricação artesanal de substâncias em fundos de quintal, cozinhas residenciais e depósitos improvisados.

Para maximizar o lucro, os criminosos misturavam insumos importados da Índia, China e Paraguai a óleo de cozinha comum e óleos de semente de uva e arroz manipulados sem qualquer assepsia. A ausência de rigor técnico no processo de fabricação aumentava o risco de contaminação.

A Polícia Civil alertou que a viscosidade inadequada dos óleos utilizados pode causar complicações graves, como embolias, tromboses e infecções generalizadas (sepse). Em casos recentes, a falta de controle técnico levou ao óbito de uma fisiculturista em Samambaia.

Riscos à saúde e substâncias ocultas

A investigação identificou a presença de substâncias perigosas em produtos comercializados pelo grupo. Entre elas, foi encontrado o clembuterol, um medicamento de uso veterinário exclusivo para equinos, em termogênicos e outros produtos.

Também foram detectadas substâncias psicotrópicas e diuréticos ocultos, como sibutramina, fluoxetina, bupropiona e hidroclorotiazida. O uso desses componentes sem acompanhamento médico pode resultar em reações alérgicas, AVC, hipertrofia cardíaca e impotência.

Alcance da Operação Narciso

A Operação Narciso é descrita pela PCDF como a maior ação do ano contra o comércio ilegal de anabolizantes e substâncias proibidas no Brasil. O esquema possuía conexões em oito estados — Santa Catarina, Acre, São Paulo, Goiás, Rio Grande do Norte, Paraíba e Minas Gerais — além do Distrito Federal, com ligação direta para fabricação no Paraguai.

A Justiça determinou o bloqueio de R$ 32 milhões em ativos financeiros, a expedição de 43 mandados de prisão e 64 de busca e apreensão. Mais de 20 estabelecimentos foram lacrados e 10 veículos de luxo foram apreendidos durante as diligências.

Produzido pela redação do Diário Local com apoio de automação editorial, sob curadoria e revisão de Davy Albuquerque, editor responsável.